Pelo menos três morrem em confrontos durante eleições na Colômbia

Eleições na Colômbia
Image caption Nas principais cidades, o clima durante o pleito foi pacífico

Confrontos na zona rural colombiana entre militantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e soldados do governo deixaram pelo menos três mortos neste domingo, durante as eleições presidenciais do país.

A segurança foi reforçada em todo o país por 340 mil homens, mas foram registrados violentos tiroteios nos Departamentos (Estados) de Tolima e Valle del Cauca, no sudoeste do país, onde um guerrilheiro das Farc teria morrido.

Já nos Departamentos de Meta (centro do país) e Bolívar (norte), dois soldados do Exército teriam sido mortos nos confrontos.

O ministro do Interior, Fabio Valencia Cossio, disse ainda que a Polícia Nacional desativou três artefatos explosivos antes da abertura das urnas para o pleito que escolherá o sucessor do atual presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Apesar da violência no campo, as eleições consideradas entre as mais disputadas da história recente do país, transcorrem normalmente nas principais cidades do país.

Em declarações pela manhã, o ministro da Defesa, Gabriel Silva, havia afirmado que a votação seria "a mais pacífica dos últimos 30 anos".

Segundo turno

A expectativa é que os resultados sejam apertados, o que levaria a decisão a um segundo turno. As urnas foram abertas às 8h (10h de Brasília) e fecham às 16h (18h, em Brasília).

Os resultados das eleições serão divulgados a partir das 20h (22h em Brasília).

Os dois candidatos favoritos a disputar uma nova rodada eleitoral votaram na manhã deste domingo em Bogotá.

O candidato do partido Verde, Antanas Mockus, admitiu desejar que a disputa fosse decidida ainda no primeiro turno e disse que os colombianos "lembrarão que pela primeira vez não votou contra e sim a favor" de um projeto.

O verde votou acompanhado dos filhos e da esposa e comentou a sua admiração pela política social de Luiz Inácio Lula da Silva.

Leia mais: Lula inspira reformas sociais de candidato verde na Colômbia

Seu principal adversário, o candidato governista Juan Manuel Santos, defendeu o voto como saída para "derrotar o terrorismo" e prometeu acatar qualquer resultado proveniente das urnas.

Santos disse que pretende ser recordado como o presidente "que deu trabalho aos colombianos".

Leia mais: Santos diz que democracia sairá fortalecida

Os outros seis candidatos que disputam o pleito apostam em reverter o resultado das pesquisas que destacam a Mockus e Santos como favoritos na disputa de um eventual segundo turno.

Uribe

Álvaro Uribe foi um dos primeiros a votar, logo pela manhã, numa seção eleitoral na praça Bolívar, no centro histórico de Bogotá, próximo ao palácio presidencial.

"Compatriotas, o voto livre e em consciência é o reconhecimento da dignidade da pátria", afirmou o presidente.

Uribe entregará a seu sucessor um país mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado e com uma crise de credibilidade institucional, segundo analistas entrevistados pela BBC Brasil.

A poucos metros de onde votou o presidente colombiano, no centro da praça, o candidato presidencial Robinson Alexander Devia, em greve de fome há 20 dias, protestava contra o sistema democrático colombiano.

Dezenas de pessoas que estão acampadas na praça, com esparadrapos na boca, acompanham o protesto.

Protestos

Devia alega não ter tido espaço nos debates presidenciais para expor suas propostas aos colombianos.

"O eleitor não pode decidir com liberdade se o direito a informar e estar informado está sendo violado", afirmou Devia à BBC Brasil.

O candidato terminará a greve de fome neste domingo.

A duas quadras dali, um grupo de jovens artistas protestavam tocando tambores e convocando os eleitores a votar branco.

"A Constituição diz que se a maioria votar em branco, as eleições têm de ser repetidas, com novos candidatos", explicou à BBC Brasil Milton Siriaco, que diz não acreditar no sistema eleitoral.

"A cada quatro anos elegemos um presidente, e a história tem mostrado que estamos cada vez pior. Eles promovem a ignorância para continuar mantendo seus privilégios no poder", acrescentou.

‘Mudança do sistema’

Para o cientista político Pedro Medellín, neste domingo está em jogo a mudança do regime político na Colômbia.

"Colômbia tem que escolher se quer manter o regime clientelista, de troca de favores para definição de políticas ou um regime conformado por coalizões baseadas em argumentos", afirmou Medellín à BBC Brasil.

Santos e Mockus prometeram dar continuidade à política de segurança do presidente colombiano Álvaro Uribe, atacar o desemprego de 12%, um dos mais altos da América Latina, reduzir o déficit fiscal de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e promover reformas sociais.

Em meio a escândalos de corrupção e de envolvimento de políticos com paramilitares, Mockus se apresenta como o candidato que governará na legalidade e combaterá a corrupção.

É o preferido dos jovens eleitores jovens e o favorito nos grandes centros urbanos.

O processo eleitoral será monitorado pela Organização de Estados Americanos (OEA) e por observadores colombianos.

Em um pleito considerado histórico, que determina o fim da era Uribe, espera-se que o índice de abstenção seja inferior à média de 50% registrada nas eleições anteriores.

O voto na Colômbia é facultativo.

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