Exigência de Israel para brasileira detida é 'absurda', diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim
Image caption Ministro participou de audiência em comissão do Senado em Brasília

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, classificou como "absurda" a exigência do governo de Israel de que os detidos durante o ataque de segunda-feira assinem um termo admitindo terem invadido o país.

A cineasta brasileira Iara Lee, que participava da expedição humanitária à Faixa de Gaza, disse ao Itamaraty que sua liberdade estava condicionada à assinatura desse documento.

"A versão que obtivemos é de que a brasileira não poderia ser liberada logo porque ela não quis assinar um documento dizendo que entrou em Israel ilegalmente, o que é um absurdo, porque ela foi presa em águas internacionais", disse o chanceler, depois de participar nesta terça-feira de uma audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Na madrugada de segunda-feira, cerca de 700 ativistas tentaram furar o bloqueio imposto por Israel a Gaza para levar cerca de 10 mil toneladas de ajuda humanitária quando foram atacados por militares israelenses em águas internacionais. Pelo menos dez ativistas foram mortos na operação.

O ministro acrescentou ainda que a Organização das Nações Unidas (ONU) exigiu a libertação "incondicional" de todos os detidos.

"Por isso, nossa expectativa é de que ela (a cineasta brasileira) seja libertada pronta e incondicionalmente", disse o chanceler.

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Bloqueio

Na avaliação de Amorim, a suspensão do bloqueio de Israel à Faixa de Gaza, em vigor desde 2007, deve ser uma "exigência" da ONU, e não um "pedido".

"Essa deve ser uma exigência da comunidade internacional. Se existem preocupações com segurança, elas podem ser resolvidas como em qualquer outro país do mundo, com a ajuda de forças internacionais", disse o ministro.

O ataque promovido por forças militares de Israel ao comboio humanitário também foi condenado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira. Segundo ele, "Israel não tinha direito de fazer o que fez".

"O bombardeio foi feito em águas internacionais. Mas vamos esperar que haja melhores investigações", disse o presidente, logo após visitar uma montadora em São Bernardo do Campo.

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