Oriente médio

Chefe da Otan pede liberação imediata de ativistas presos em Israel

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O secretário-geral da Otan (Organização dos Países do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, pediu nesta terça-feira a liberação imediata dos mais de 600 ativistas presos por Israel após o ataque a seis navios com ajuda humanitária que seguiam para a Faixa de Gaza.

Na madrugada de segunda-feira, os cerca de 700 ativistas tentaram furar o bloqueio imposto por Israel a Gaza para levar cerca de 10 mil toneladas de ajuda humanitária quando foram atacados por militares israelenses em águas internacionais. Pelo menos dez ativistas foram mortos na operação.

A pedido da Turquia – país de origem de quatro dos mortos na ação israelense, segundo fontes diplomáticas em Ancara – a Otan realiza nesta quinta-feira uma reunião de emergência para discutir o episódio.

A Liga Árabe também convocou uma reunião para esta terça-feira, e a Jordânia e o Egito – os dois países árabes que mantêm acordos de paz com Israel – condenaram duramente a violência.

ONU

O Conselho de Segurança da ONU emitiu uma declaração condenando o que chamou de atos que resultaram na perda de pelo menos dez vidas durante o ataque israelense a frota de navios que transportava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, ordenou a abertura da fronteira do país com a Faixa de Gaza, em Rafah, nesta terça-feira, permitindo a entrada de ajuda humanitária no território palestino, segundo a agência de notícias Mena, a oficial do Egito.

Não está claro se a decisão será permanente ou temporária. O posto de controle de Rafah é a única parte da fronteira de Gaza que não é controlada por Israel.

O governo egípcio enfrenta oposição interna por participar do bloqueio ao território palestino imposto por Israel desde que o Hamas assumiu seu controle em 2007.

Desde então, a fronteira em Rafah tem sido aberta apenas esporadicamente. Em um incidente separado, dois militantes palestinos foram mortos por militares israelenses após entrarem no país ilegalmente vindos de Gaza.

Brasileira

Pouco mais de 600 ativistas foram levados a diferentes centros de detenção em Israel e muitos devem ser deportados do país nesta terça-feira, incluindo a cineasta brasileira Iara Lee.

Ela recusou a oferta de deportação voluntária. Com isso, terá de esperar a tramitação de um processo administrativo para a deportação forçada.

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Nesta terça-feira o presidente Lula disse que condena o ataque mas "vamos esperar as investigações" sobre o ocorrido.

"As informações que temos são de que o ataque, o bombardeio, foi feito em águas internacionais e, portanto, Israel não tinha o direito de fazer o que fez", afirmou Lula.

Lado israelense

O governo de Israel disse que as tropas israelenses agiram em defesa própria no episódio, depois de serem atacadas.

Por meio de uma nota, divulgada pelo governo israelense, o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, disse que as pessoas a bordo do navio invadido não estavam em missão de paz e são terroristas.

"Gostaria de expressar a minha admiração pelos soldados das Forças de Defesa de Israel (FDI), que demonstraram responsabilidade, moderação e muita coragem em condições tão difíceis, sob o ataque brutal dos apoiadores ao terror", disse ele.

O chanceler ressaltou que todas as tentativas de Israel de dialogar com os organizadores da flotilha foram rejeitadas.

O governo israelense também voltou a defender o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, dizendo que ele é legal e justificado.

Os ativistas insistem que os soldados israelenses abriram fogo sem qualquer provocação.

Ainda não se sabe qual será o destino das cerca de 10 mil toneladas de ajuda humanitária – que incluíam cimento, cadeiras de roda, papel e sistemas de purificação de água – transportada pelos navios.

Israel afirmou que vai entregar o material a Gaza, por terra, depois de confiscar os itens proibidos.

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