Seleção ignora política e diz só pensar em futebol no Zimbábue

Robinho
Image caption Robinho perguntou a jornalistas o nome do país onde irá jogar

Só futebol, nada de política. Este é o discurso da seleção brasileira antes do amistoso contra o Zimbábue, que será disputado nesta quarta-feira na capital do país, Harare.

Sob o comando do presidente Robert Mugabe, que está no poder desde 1980, o Zimbábue é considerado um dos regimes menos democráticos da África. Em 2008, Mugabe foi acusado pela comunidade internacional de torturar integrantes da oposição.

Hoje a oposição forma com o Zanu-PF, o partido de Mugabe, um governo de coalizão, que enfrenta grandes desafios - como inflação crônica, desigualdade social e isolamento político na comunidade internacional.

Mugabe deve comparecer ao Estádio Nacional, em Harare, para assistir ao jogo.

Críticos do regime dizem que o presidente está usando o prestígio da seleção brasileira para aumentar sua popularidade no país. A expectativa é de grande público no amistoso, para um dos maiores eventos esportivos do Zimbábue dos últimos anos.

A CBF nega que o amistoso no Zimbábue seja uma espécie de endosso da seleção ao regime de Mugabe.

"Nós estamos lá para jogar uma partida de futebol, não para fazer política", disse à BBC Brasil o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva.

A CBF diz que a prioridade era que os amistosos fossem disputados perto de Johanesburgo, onde a seleção está treinando desde o dia 27 de maio. A entidade argumenta que não havia seleções disponíveis para enfrentar a equipe em um raio de menos de quatro horas de Johanesburgo, e que por isso Zimbábue, nesta quarta-feira, e Tanzânia, no dia 7, foram escolhidos.

Paiva diz que o Brasil não pensa na situação política dos seus adversários e cita o jogo de estreia da seleção na Copa contra a Coreia do Norte, segundo ele um regime ditatorial fechado.

Dinheiro

Além da proximidade com Johanesburgo, o amistoso com o Zimbábue pode ser uma oportunidade comercial boa para a seleção, apesar de a CBF negar que este seja o interesse principal na partida.

Paiva afirma que o contrato para a seleção jogar contra o Zimbábue não foi fechado diretamente entre a CBF e a Zifa, a federação de futebol do país. O contrato é fechado entre a Zifa e uma empresa saudita que agencia os amistosos da seleção brasileira. Paiva diz desconhecer o valor pago por cada amistoso agendado para a seleção.

O amistoso com a Tanzânia, próximo adversário do Brasil no dia 7, também foi marcado pela empresa saudita, segundo a CBF. O correspondente da BBC em Dar es Salaam Emmanuel Muga afirma que o governo da Tanzânia tinha um orçamento de US$ 6 milhões para agendar amistosos com seleções internacionais.

'Como é o nome?'

Jogadores da seleção disseram conhecer pouco sobre a situação política e econômica do Zimbábue. Felipe Melo disse que só sabe que o país enfrenta muita violência e que há muitos homicídios.

"Será bom levar um pouco de futebol da seleção para um povo tão sofrido como o de lá", disse o volante da seleção.

Robinho também afirmou que sabe pouco sobre o país e a seleção. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, Robinho disse que respeita a seleção adversária do Brasil no amistoso, mas em seguida perguntou aos repórteres: "Como é mesmo o nome do país? Zimbábue?"

Ao ser lembrado por um repórter que Robinho já jogou no Manchester City com o atacante Benjani, do Zimbábue, Robinho fez elogios ao jogador.

Para o atacante, o resultado do amistoso de quarta-feira não interessa muito. "O importante é o Brasil treinar a sua movimentação", diz.

Kaká

Se repetir o time que jogou os dois coletivos em Johanesburgo, o Brasil de Dunga entrará em campo com: Júlio César; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Felipe Melo, Gilberto Silva, Kaká e Elano; Robinho e Luís Fabiano.

A CBF confirmou que Kaká viaja para Harare, mas disse que a sua escalação será confirmada apenas pouco antes do jogo.

Brasil e Zimbábue enfrentam-se no Estádio Nacional, em Harare, nesta quarta-feira às 15h30 (10h30 no horário de Brasília). O Brasil volta para Johanesburgo no mesmo dia.

No dia 7 de junho, o Brasil viaja para a Tanzânia, onde joga, contra a seleção do país, o último amistoso antes da Copa. A estreia no Mundial é contra a Coreia do Norte, no dia 15, em Johanesburgo.