'Se quiserem ficar aqui, que se legalizem', diz mexicana naturalizada nos EUA

Gabriela Saucedo
Image caption Gabriela defendeu a nova lei em sessão da Câmara Municipal de Tucson

Apesar de ter nascido e vivido por 22 anos no México, Gabriela Saucedo Mercer ganhou destaque em Tucson, cidade no sul do Arizona onde mora, por sua defesa da nova lei de imigração do Estado.

"Já estava na hora de o Estado começar a proteger nossas fronteiras", diz Gabriela, de 46 anos, que chegou aos Estados Unidos em 1986 e se tornou cidadã americana em 1991.

Sua origem mexicana não impede que apoie a nova lei, considerada discriminatória por muitos opositores, segundo os quais a medida vai afetar especialmente a população de origem hispânica.

Um vídeo em que defende a legislação em uma reunião na Câmara Municipal de Tucson tem feito sucesso entre os americanos favoráveis à lei.

"Eu li a lei. Não tem nada de discriminatória. Em lugar algum está escrito que os policiais poderão parar alguém por causa da cor de sua pele", disse Gabriela à BBC Brasil.

"Não sou contra a imigração. Mas se esses imigrantes quiserem ficar aqui, que se legalizem, como eu fiz", afirma. "Que consigam uma permissão para trabalhar, como tantas pessoas fazem."

Apoio

A nova lei, assinada pela governadora Jan Brewer em 23 de abril e com entrada em vigor prevista para 29 de julho, torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais e também pune aqueles que derem abrigo ou ajudarem essas pessoas.

A legislação também dá à polícia o poder de exigir documentos de qualquer pessoa suspeita de ser imigrante ilegal. Caso realmente esteja em situação ilegal, a pessoa pode ser detida e deportada.

A lei vem provocando protestos em todo o país, incluindo boicotes ao Arizona lançados por mais de 10 cidades americanas e ameaças de ações judiciais contra a medida até mesmo por parte do governo federal.

No entanto, apesar da polêmica, algumas pesquisas de opinião mostram que mais da metade dos americanos apóia a nova legislação.

Uma pesquisa feita pelo instituto americano Pew Research Center no mês passado em todo o país indica que 59% aprovam a lei.

Problemas

Os defensores da lei relacionam a onda de imigração ilegal no Arizona à violência, e esperam que a medida ajude a revolver esse problema.

"Os críticos dizem que essa lei vai violar os direitos humanos. Quem viola os direitos humanos são os coiotes que atravessam esses imigrantes ilegais (do México para os Estados Unidos)", afirma Gabriela.

"Enfrentamos muitos problemas na fronteira. Tráfico de drogas, sequestros", diz. "Acredito que a lei vá desencorajar as pessoas a virem para cá ilegalmente."

O governo do Arizona estima que 450 mil imigrantes ilegais vivam no Estado, que tem cerca de 6,5 milhões de habitantes.

Americana

Nascida em Mazatlán, no Estado mexicano de Sinaloa, Gabriela afirma que veio para os Estados Unidos porque "a grama deste lado da fronteira era mais verde".

Casada com o americano Ted Mercer, 70, com quem começou a namorar ainda no México, ela é mãe de dois filhos e uma filha, que é sargento do corpo de Fuzileiros Navais e está servindo no Afeganistão.

Gabriela diz que se considera americana, e não mexicana.

"Eu decidi me tornar cidadã americana. No processo, você tem que provar que não é um fardo para o país, que está integrada à cultura, que sabe falar inglês", afirma.

"Ainda carrego no coração minha cultura mexicana. Ainda adoro a comida mexicana. Mas sou uma americana, porque escolhi ser uma americana", diz.

Críticas

Gabriela afirma que nunca sofreu preconceito por sua origem mexicana.

Questionada sobre se o apoio à lei rendeu críticas por parte da comunidade hispânica nos Estados Unidos, ela nega.

"As pessoas (hispânicas) com quem convivo estão aqui legalmente e concordam comigo", diz.

"No vídeo do YouTube (em que aparece defendendo a lei) recebi vários comentários elogiosos, mas também muitos xingamentos", afirma. "Mas eu sei onde meu coração está. Eu amo este país."

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