Premiê de Israel diz que críticas a ação contra frota são ‘hipocrisia’

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu
Image caption Netanyahu disse que os militares israelenses não tiveram escolha

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse nesta quarta-feira que Israel manterá o bloqueio à Faixa de Gaza e que as críticas ao ataque de segunda-feira, no qual forças do país mataram nove ativistas em águas internacionais, são "hipocrisia".

"Mais uma vez, Israel enfrenta hipocrisia e um julgamento apressado e parcial", disse ele em pronunciamento à TV.

Netanyahu disse que os militares israelenses "não tinham opção" a não ser impedir a chegada dos barcos que tentavam furar o bloqueio a Gaza, levando ajuda humanitária aos palestinos.

"Não eram barcos do amor, eram barcos do ódio."

O premiê disse que Israel deve manter o bloqueio, controlando tudo o que entra no território palestino, para evitar que Gaza se transforme em um “porto iraniano no Mediterrâneo”.

Turquia

Também nesta quarta-feira, o Parlamento da Turquia aprovou uma resolução que pede que o governo submeta a uma revisão todos os laços militares e econômicos entre Ancara e Tel Aviv.

A resolução também pede a realização de uma investigação independente sobre o ataque israelense aos barcos que levavam ajuda humanitária; uma desculpa formal de Israel e o pagamento de indenização às vítimas.

Pelo menos quatro turcos morreram durante a ação israelense.

A Turquia é uma exceção entre os países muçulmanos por ter reconhecido o Estado de Israel desde a sua criação, em 1948, e mantido fortes laços comerciais com o país desde então.

Deportados

Centenas de ativistas estrangeiros que haviam sido detidos durante a ação foram liberados por Israel e aguardavam a deportação na noite de quarta-feira (tarde em Brasília) no aeroporto internacional Ben Gurion, em Tel Aviv.

O grupo deve ser transportado em quatro aviões, três deles com destino à Turquia e o outro, rumo à Grécia.

As autoridades israelenses afirmaram ter decidido não processar nenhum dos ativistas estrangeiros, mas alguns árabes israelenses que estavam nos barcos continuam detidos e podem enfrentar ações judiciais.

Segundo as autoridades israelenses, havia 682 pessoas de 42 países diferentes nos seis barcos interceptados na segunda-feira, numa operação em que nove pessoas morreram.

Na manhã desta quarta-feira, 123 ativistas já haviam sido transportados por Israel até a fronteira com a Jordânia, onde foram libertados.

Leia mais na BBC Brasil: Novo barco tenta furar bloqueio a Gaza apesar de alerta de Israel

Brasileira

A cineasta brasileira Iara Lee, que estava em um dos barcos, também seguiu para o aeroporto de Tel Aviv.

Um diplomata brasileiro que estava no aeroporto para dar assistência à cineasta disse que não conseguiu falar com ela, porque as autoridades israelenses não permitiram o contato com os ativistas.

Ele disse não saber se ela foi obrigada a assinar algum documento para ser deportada.

Na terça-feira, o Itamaraty havia protestado contra a exigência, por parte das autoridades israelenses, de que os ativistas assinassem um documento reconhecendo terem invadido ilegalmente o país.

Notícias relacionadas