Ativistas dizem que existem passageiros de frota desaparecidos

Funeral de vítima de operação israelense em barco a caminho de Gaza
Image caption Corpos das nove pessoas mortas no barco estão sendo velados em Istambul.

Os organizadores da frota que tentou furar o bloqueio a Gaza disseram que a operação de Israel no barco Mavi Marmara deixou uma "longa lista de desaparecidos".

O presidente da Fundação para Direitos Humanos e Liberdades e Ajuda Humanitária, Bulent Yildirim, afirmou que o grupo, responsável pela organização da frota de ajuda humanitária a Gaza, recebeu os corpos de nove mortos na operação israelense.

"Nós recebemos os corpos de nove mártires, mas temos uma lista mais longa. Existem pessoas desaparecidas. Nossos médicos entregaram 38 feridos, na nossa volta eles (os israelenses) disseram que havia apenas 21 feridos."

Yildirim, que estava a bordo do Mavi Marmara, palco dos confrontos, confirmou que alguns ativistas tomaram armas dos soldados israelenses, mas ressaltou que elas não foram utilizadas e sim jogadas no mar.

"Nós não usamos as armas que tomamos deles. Nós os ajudamos com tratamento médico, demos água a eles. Em contrapartida, eles mataram nossos amigos e jogaram os corpos na água e ainda não sabemos o que aconteceu com eles", afirmou Yildirim.

Chegada à Turquia

Cerca de 450 ativistas que integravam a frota e tinham sido detidos por Israel chegaram a Istambul na madrugada desta quinta-feira. O vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc, liderou a multidão que deu as boas-vindas aos ativistas.

Os corpos foram transportados nos mesmo voo que os deportados. Pelo menos oito dos mortos eram turcos e a nacionalidade da outra pessoa ainda não foi revelada.

Um barco irlandês, que deveria fazer parte da frota interceptada na segunda-feira e ficou para trás por problemas mecânicos, segue a caminho da costa de Gaza, com a intenção de tentar furar o bloqueio de Israel e levar ajuda à população local. O barco teria 11 pessoas a bordo e poderia chegar a seu destino neste fim-de-semana.

O grupo espera que Israel permita sua entrada na Faixa de Gaza com segurança. Houve um pedido formal do primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, ao país para que deixe o barco cumprir sua missão de ajuda humanitária.

Já em Israel, o presidente do comitê de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento israelense, Tzachi Hanegbi, disse que seu país "não pode deixá-los (os barcos) manchar a linha vermelha que Israel definiu".

Um oficial das Forças de Defesa de Israel disse ao jornal israelense Haaretz que o novo barco também seria interceptado, o que poderia resultar em confrontos parecidos com os registrados na última segunda-feira.

"Nós estamos prontos para o Rachel Corrie", afirmou o israelense.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse que Israel “não teve escolha” a não ser invadir os barcos na segunda-feira.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra, votou pela abertura de um inquérito internacional independente sobre o incidente.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu que Israel suspenda o bloqueio à Faixa de Gaza imediatamente, afirmando que o cerco é “contra-producente, insustentável e errado”.

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