Navio com ajuda para Gaza chega a porto israelense

Rachel Corrie
Image caption A comunicação via celular com o barco foi cortada

O navio de bandeira irlandesa Rachel Corrie, que transportava ajuda humanitária à Faixa de Gaza, chegou ao porto israelense de Ashdod neste sábado, depois de ser interceptado por militares de Israel.

O Exército afirma que os ativistas a bordo do barco não ofereceram resistência e que a abordagem foi pacífica, mas os passageiros do Rachel Corrie ainda não se manifestaram.

A comunicação com os ativistas foi cortada e uma das organizadoras da frota, no Chipre, diz que os militares israelenses obrigaram os tripulantes a agir contra a vontade e em águas internacionais.

Na segunda-feira, a interceptação israelense, em águas internacionais, de uma frota de seis barcos (da qual o Rachel Corrie originalmente fazia parte) terminou na morte de nove ativistas.

Israel afirma que seus homens foram agredidos pelos ativistas quando invadiram a embarcação, mas os ativistas dizem que os militares israelenses usaram força desproporcional.

‘Sem violência’

"A marinha israelense entrou no navio e este ruma ao porto de Ashdod. Isto (a operação) ocorreu tranquilamente, sem violência e de comum acordo com as pessoas a bordo", disse o porta-voz do governo israelense Moro Eisin após a abordagem do sábado.

Israel afirma também que, antes de invadir o barco, enviou quatro mensagens por rádio pedindo para que este mudasse sua rota para Ashdod, mas não recebeu resposta nenhuma.

O governo israelense disse que interrogará os 11 ativistas, irlandeses e malaios, incluindo a vencedora do prêmio Nobel da Paz irlandesa Mairead Corrigan no porto e transferirá a carga para Gaza depois de vistoriá-la.

Israel diz querer verificar o conteúdo da ajuda, que inclui cimento, cadeiras de roda, equipamentos médicos, giz de cera e cadernos, antes de entregá-la a Gaza, confiscando mercadorias que alega poderem ser utilizadas para fins militares, como material de construção e metal, por exemplo.

O premiê israelense, Binyamyn Netanyahu, elogiou o fato de a operação ter transcorrido sem violência, ao contrário da de segunda-feira.

"Hoje vimos a diferença entre um barco de ativistas pela paz, com quem não concordamos mas respeitamos seus direitos a opiniões diferentes das nossas, e um barco do ódio organizado por violentos extremistas turcos", disse ele.

‘Violentamente’

Mas após a abordagem do navio Rachel Corrie, uma das fundadoras da organização Free Gaza que organizou a tentativa de furar o bloqueio, Mary Hughes, disse estar "ultrajada" pela atitude israelense.

"Eles novamente operaram em águas internacionais, invadindo violentamente um navio e forçando as pessoas a fazer algo contra sua vontade, quando tudo o que queríamos era que permitissem que chegássemos a Gaza, nossa meta", disse ela á BBC.

Image caption O bloqueio reduz a área de pesca dos palestinos ao porto de Gaza

Ela disse que a ong organizará novos barcos e prometeu “continuar até quebrarmos o bloqueio”.

A ong Free Gaza, baseada no Chipre, é uma coalizão de grupos pró-palestinos e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Repercussões

O Conselho de Segurança da ONU emitiu declaração pedindo que a morte dos ativistas seja investigada imediatamente, de forma "imparcial, crível e transparente".

O governo americano diz esperar ver alguma participação de outros países na investigação a ser conduzida por Israel, mas o governo israelense já descartou publicamente a possibilidade de uma inquérito internacional.

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Na sexta-feira, o governo da Turquia indicou que está estudando a possibilidade de reduzir relações com Israel devido ao incidente de segunda-feira.

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Manifestantes contrários à ação israelense contra os navios de ajuda humanitária à Gaza realizaram protestos em várias cidades neste sábado, entre elas Londres, Dublin, Istambul, Paris e Cairo.

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