Alemanha anuncia pacote com maiores cortes no orçamento desde a 2ª Guerra

Angela Merkel (arquivo)
Image caption Angela Merkel afirma que a Alemanha tem que dar um 'bom exemplo'

O governo da Alemanha anunciou nesta segunda-feira o maior pacote de austeridade do país desde a Segunda Guerra Mundial, contendo a promessa de um corte de 80 bilhões de euros (cerca de R$ 171 bilhões) no orçamento nos próximos quatro anos.

O objetivo do governo alemão com o pacote é reduzir o déficit orçamentário no país para cerca de 3% do PIB. O déficit total em 2009 foi de 3,1%, mas a projeção é de crescimento para até 5% em 2010.

Ao anunciar o pacote, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que é importante que o país dê um "bom exemplo" para outros países europeus.

"Os últimos meses mostraram a importância primordial de finanças sólidas - a melhor forma de evitar uma crise", afirmou a chanceler.

Cortes e impostos

Para conseguir economizar os 80 bilhões de euros, o governo da Alemanha prevê uma série de cortes, incluindo um de 30 bilhões de euros no orçamento destinado a programas sociais.

Até 15 mil empregos públicos devem ser eliminados nos próximos quatro anos.

As Forças Armadas do país também vão passar por uma reorganização para economizar dinheiro, com planos para cortar até 40 mil cargos.

Também está prevista a criação de novos impostos. O governo quer, por exemplo, criar uma taxa ambiental a ser cobrada dos passageiros que embarcam em alguns aeroportos do país.

Foi anunciada, ainda, a suspensão dos planos para reconstruiu um palácio no centro de Berlim.

Críticas

Muitos economistas criticaram os planos de austeridade da Alemanha.

Os críticos argumentam que, com tantos governos do sul da Europa sob pressão para cortar gastos, as reduções no orçamento da Alemanha – a maior economia da zona do euro - são a última coisa que a economia europeia precisa no momento.

Também nesta segunda-feira, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, advertiu que os cortes que ele deve anunciar no orçamento do país vão ser sentidos “por cada pessoa no país” e serão sentidos “por anos, talvez por décadas”.

Os grandes déficits orçamentários em alguns países da Europa, em especial a Grécia, têm gerado turbulência no mercado financeiro e levado a uma desvalorização do euro.

Leia mais na BBC Brasil: Euro atinge menor valor em quatro anos

FMI

Também nesta segunda-feira, o FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou um relatório em que diz que os países da zona do euro precisam aceleram os seus cortes orçamentários para aumentar a confiança dos investidores.

Segundo a organização, a instabilidade financeira no bloco se deve à adoção de “políticas insustentáveis” e que o atual “gerenciamento de crise” não substitui a adoção de medidas de reestruturação econômica.

Ministros das finanças da Europa aprovaram a criação de um fundo de emergência de 440 bilhões de euros com o objetivo de ajudar países que passem por dificuldades.

As autoridades esperam que o fundo possa ajudar a acalmar os investidores que temem que alguns países da região não consigam honrar seus compromissos com credores.

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