Argentina

Argentina faz teste de DNA para esclarecer origem dos herdeiros do Clarín

Marcela e Felipe Noble

Marcela e Felipe Noble alegam que exame viola a privacidade dos dois

Por determinação da Justiça, peritos argentinos realizam nesta segunda-feira testes de DNA em amostras de roupas dos herdeiros do grupo Clarín, para determinar se eles são ou não filhos biológicos de pais desaparecidos durante a última ditadura militar no país (1976-1983).

Marcela e Felipe Noble foram adotados há 34 anos por Ernestina Herrera de Noble, dona do Clarín, o principal conglomerado de mídia do país, e vinham tentando impedir na Justiça a realização dos testes.

Ativistas afirmam que os dois são filhos de militantes mortos pelo Estado durante a chamada Guerra Suja. As crianças teriam sido destinadas pelos militares à adoção.

Os irmãos dizem não ter a intenção de descobrir quem são seus pais biológicos e que a obrigatoriedade do exame viola a privacidade dos dois.

Eles também alegam não haver evidências contra a sua mãe adotiva, que chegou a ser presa em 2002 sob a acusação de sequestro de crianças de vítimas da ditadura.

As amostras de DNA retiradas das roupas de Felipe e Marcela serão comparadas com as de centenas de membros de famílias de pessoas desaparecidas durante a ditadura.

A divulgação dos resultados pode levar ainda várias semanas.

Provas

Os irmãos dizem que se os testes mostrarem que eles são mesmo filhos biológicos de prisioneiros políticos mortos, eles não querem se tornar provas contra sua própria mãe adotiva.

Os advogados de Ernestina Herrera de Noble alegam que mesmo se houver provas de que Felipe e Marcela são filhos de desaparecidos, não há provas de que a dona do Clarín soubesse a origem dos bebês.

A organização Avós da Praça de Maio, que reúne mães de desaparecidos que tiveram supostamente seus filhos roubados durante a ditadura, já identificou dezenas de casos de crianças adotadas nestas circunstâncias.

Na maioria dos casos, as crianças foram dadas a famílias com conexões com os militares.

Mas muitos dos jovens identificados dizem preferir não saber de suas origens, especialmente se a informação implicar os pais adotivos em atos criminosos.

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