Servidores em greve protestam diante de prédio do governo na Espanha

Manifestantes reunidos em frente ao Ministério da Fazenda em Madri
Image caption Plano de austeridade do governo espanhol tem gerado protestos

Milhares de funcionários públicos espanhóis em greve se reuniram nesta terça-feira em frente do Ministério da Fazenda em Madri em um protesto contra um pacote do governo que prevê a redução dos salários dos servidores.

De acordo com a correspondente da BBC em Madri Sarah Rainsford, os manifestantes levaram panelas e tambores para frente do Ministério.

Os sindicatos do país afirmam que entre 75% e 80% dos servidores estão de braços cruzados. No entanto, o Ministério do Trabalho afirma que apenas 16% dos trabalhadores aderiram à greve de 24 horas.

Mais de 2,5 milhões de espanhóis trabalham no setor público, muitos deles em hospitais, escolas e nos bombeiros.

Serviços de transporte público, saúde, educação, segurança e justiça estão sendo cobertos pelos governos regionais, mas os setores dependentes da administração central prometeram ficar parados durante todo o dia.

A greve convocada por três centrais sindicais é a primeira ameaça cumprida pelos servidores desde que o Parlamento aprovou a diminuição dos salários (5% em média) e o congelamento das aposentadorias em 2011.

15 bilhões

O pacote aprovado há duas semanas prevê uma economia de 15 bilhões de euros (cerca de R$ 34 bilhões) por ano com o objetivo de conter o déficit orçamentário do país.

Leia mais na BBC Brasil sobre o pacote

Segundo Rainsford, os manifestantes em frente do Ministério da Fazenda em Madri afirmam que não são eles que devem pagar pelos cortes de gastos determinados pelo governo.

Os canais públicos de televisão estão sem notícias desde as 0h15 locais (19h15 de segunda-feira, hora de Brasília) e exibem apenas um comunicado afirmando que a programação do dia estará alterada pela greve.

Para deputados e senadores do Parlamento espanhol, o trabalho também estará reduzido nesta terça-feira.

Apesar das previstas sessões de votações, os serviços do Congresso e do Senado funcionam com 28% do pessoal.

Nos ministérios, a paralisação é de mais de 80%, segundo os sindicatos. O Ministério da Fazenda, que recolhe nesta temporada as declarações de renda, terá apenas 8% dos trabalhadores durante o dia.

Os sindicatos convocam ainda a população para diversas manifestações nas principais cidades da Espanha e mais de cem assembleias de trabalhadores.

Medidas 'injustas'

Em nota à imprensa, as centrais Comissões Operárias e União Geral de Trabalhadores afirmaram que as medidas do pacote para superar a crise econômica são "injustas, desequilibradas e antieconômicas" e ameaçam convocar uma greve geral se não houver mudanças.

As centrais sindicais acusam o Partido Socialista, do governo, de não cumprir promessas anteriores e de tomar medidas desesperadas, depois de insistir que a Espanha ficaria relativamente isolada da crise econômica.

O ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, disse no dia anterior à paralisação que respeita a decisão dos servidores, mas considera as medidas aprovadas "muito necessárias".

Além da Espanha, outros países enfrentam a crise e a protesto dos trabalhadores. As primeiras manifestações ocorreram na Grécia há um mês.

Os ministros de Economia da União Europeia tiveram que aprovar uma ajuda financeira para salvar o país da quebra, defender o euro e tentar impedir que a crise continuasse contaminando a região.

Os governos de outras nações da zona do euro, como Espanha e Portugal, e a Hungria, que estava em processo de se adotar a moeda comum europeia, afirmaram que suas economias não são como a grega e podem sair da crise sem ajuda.

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