Conselho de Segurança da ONU vota sanções contra o Irã nesta quarta

Instalação nuclear no Irã
Image caption Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos

O Conselho de Segurança da ONU anunciou que vai votar nesta quarta-feira uma nova rodada de sanções contra o Irã por causa de seu programa nuclear.

Segundo a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, as novas sanções serão “as mais significativas já aplicadas” contra Teerã devido a seu programa nuclear.

As declarações foram feitas durante uma entrevista coletiva em Quito, no Equador, como parte de um giro da mais alta representante da diplomacia dos Estados Unidos pela América Latina.

“É certo dizer que estas serão as sanções mais significativas que o Irã jamais sofreu”, disse a secretária de Estado americana, que ainda afirmou haver uma “importante união” da comunidade internacional em relação às medidas.

A nova rodada de sanções que deve ser votada pelos membros do Conselho de Segurança na manhã desta quarta-feira recebe oposição dos governos do Brasil e da Turquia, que dizem temer que as medidas comprometam a retomada nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.

No mês passado, os dois países – que são membros rotativos do Conselho de Segurança e não têm poder de veto - intermediaram um acordo pelo qual o Irã se comprometeria a enviar urânio para ser enriquecido fora de seu território. Parte da comunidade internacional, no entanto, viu o acordo com desconfiança.

Oposição

Durante a entrevista, Hillary preferiu não comentar a possibilidade de Brasil e Turquia votarem contra as sanções. Segundo diplomatas, além destes dois países, apenas o Líbano, que também é membro rotativo do Conselho, deve se opor às medidas.

“Eu não irei comentar algo que ainda não aconteceu”, disse a secretária de Estado.

Segundo Barbara Plett, correspondente da BBC nas Nações Unidas, apesar da oposição dos três países – que não têm direto a veto no Conselho de Segurança – há poucas dúvidas sobre a aprovação de uma nova rodada de sanções contra Teerã.

O governo iraniano argumenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas parte da comunidade internacional acredita que o país esteja tentando desenvolver armas atômicas.

Resolução

A Organização das Nações Unidas já impôs três rodadas de sanções contra o país devido ao seu programa atômico, proibindo o comércio de material nuclear “sensível” com o Irã, congelando bens de entidades e pessoas envolvidas com o programa nuclear e proibindo todas as exportações de armas do país.

Embora as novas sanções tenham sido suavizadas após negociações com a Rússia e a China – que têm poder de veto no Conselho de Segurança – elas devem reforçar ainda mais as medidas já existentes.

Entre outros pontos, a nova resolução deve impedir que o Irã compre diversas categorias de armas pesadas, solicita que a comunidade internacional bloqueie transações comerciais com bancos iranianos suspeitos de envolvimento com o programa nuclear e aumenta o número de iranianos que terão ativos bloqueados em bancos internacionais.

Segundo a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, as novas sanções têm o objetivo de convencer o Irã a interromper seu programa nuclear e retomar as negociações.

“Há uma séria de medidas sérias e compulsórias nesta resolução. Ela é forte e ampla e deve ter um impacto significativo no Irã”, disse Rice na terça-feira.

Negociações

Também na terça-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que seu país desistirá de manter negociações sobre seu programa nuclear caso o Conselho de Segurança da ONU aprove novas sanções contra Teerã.

Leia também na BBC Brasil: Líder do Irã ameaça não negociar mais se sanções forem aprovadas

Durante uma visita a Istambul, na Turquia, para uma reunião regional sobre segurança, o líder iraniano disse que a recente proposta de acordo nuclear, mediada por Brasil e Turquia, era uma oportunidade única e que não será repetida.

"O acordo de Teerã mostrou a todos que não apenas a Turquia e o Brasil, mas muitos outros países do mundo, querem o progresso na atual situação. O acordo de Teerã deu aos Estados Unidos e seus aliados uma nova oportunidade e esperamos que eles usem esta oportunidade da melhor forma possível", disse Ahmadinejad.

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