Acordo de Brasil e Turquia ainda pode ser base para negociar com Irã, diz 'FT'

Os presidentes Lula e Ahmadinejad (arquivo)
Image caption Jornais destacaram oposição do Brasil a sanções contra Irã

Um editorial do jornal britânico <i>Financial Times</i> afirma que o acordo de transferência de urânio negociado com o Irã por Brasil e Turquia permanece como base para futuras negociações e uma "esperança" de evitar um confronto militar no Oriente Médio, mesmo com a aprovação de sanções contra Teerã no Conselho de Segurança da ONU.

O editorial aprova as sanções contra o Irã na ONU, argumentando que qualquer iniciativa só dará frutos se o Irã "perceber que não tem outra alternativa a não ser negociar".

Entretanto, o <i>FT</i> defende que, "se o mundo não quiser caminhar rumo a um conflito militar envolvendo o Irã e Israel, o que seria um desastre para a região e para o mundo, uma solução ainda precisa ser encontrada".

"A melhor esperança é reviver alguma variante das propostas franco-russas ou turco-brasileiras de transferência de urânio", diz o texto.

"Ao votar contra as sanções, os turcos e brasileiros se apresentaram possivelmente como mediadores honestos.".

<b>Outros jornais</b>

Na imprensa estrangeira, a maioria dos principais jornais destacou o antagonismo de Brasília e Ancara – os únicos que votaram contra a resolução no Conselho da ONU – em relação aos outros países do órgão.

Nos Estados Unidos, a posição brasileira e turca foi recebida com menos simpatia pelo jornal <i>The New York Times</i>.

"É difícil ver por que qualquer um deles quereria possibilitar as ambições nucleares do Irã ou se colocar no lado oposto ao das maiores potências do mundo", diz o <i>NYT</i> em editorial.

Para o jornal, ao assinar um acordo com o Irã em maio, os dois emergentes foram "manipulados". O diário considera a oposição dos dois países às sanções costuradas pelos Estados Unidos como um "fato perturbador".

O espanhol <i>El País</i> argumentou que "a atitude desses dois países prejudicou a imagem de unidade que a comunidade internacional pretendia oferecer nesta crise".

Para o jornal, tal atitude "decepcionou particularmente os Estados Unidos, que tentava desesperadamente estreitar a colaboração com eles".

Já a revista britânica </i>Economist</i>, em sua edição online, nota que, quando os EUA ignoraram a iniciativa de Brasil e Turquia, "muitos pensaram que foi um tapa na cara" desses dois países.

Entretanto, argumenta a revista, o placar da votação acabou dando razão a Washington.

"O Conselho de Segurança já havia pedido em resoluções anteriores que o Irã parasse (seu enriquecimento de urânio); os turcos e brasileiros não tinham, portanto, autoridade para estabelecer um acordo dizendo a Teerã que não era preciso parar este enriquecimento."