Filho tentará conquistar pico onde mãe morreu em 1995

Alison Hargreaves com os filhos Tom, à direita, e Kate
Image caption Para Tom Ballard (à direita, em 1993), a mãe o apoiaria se estivesse viva

O filho de uma montanhista britânica que morreu na descida após atingir o pico do K2, a segunda montanha mais alta do mundo, pretende seguir os passos da mãe e chegar ao topo da montanha.

Tom Ballard, que tinha seis anos quando sua mãe morreu, em 1995, quer se tornar a primeira pessoa a chegar ao topo do K2, na fronteira entre o Paquistão e a China, durante o inverno.

Ele também diz que fará a escalada sozinho e sem o auxílio de oxigênio. A K2 tem 8.611 metros, 237 metros a menos do que o monte Everest.

A mãe de Ballar, Alison Hargreaves, era considerada uma das melhores montanhistas do mundo. Ela foi a primeira mulher a escalar o Everest sem a ajuda de oxigênio

Ela também foi a primeira mulher a escalar a montanha Eiger, nos Alpes suíços, por sua face norte, quando estava grávida de seis meses de Tom.

Alison morreu aos 33 anos, quando uma tempestade atingiu o acampamento onde ela estava com outros cinco montanhistas depois de terem chegado ao pico do K2.

Treinamento

Image caption Tom Ballard está treinando na Suíça para a escalada do monte K2

Tom, hoje com 21 anos, mudou-se para a Suíça como parte de sua treinamento para chegar ao topo da montanha.

Para ele, o fato de sua mãe ter morrido no K2 não aumenta seu temor sobre a empreitada.

“Não é diferente do que teria acontecido se ela tivesse morrido em um acidente de carro. Eu continuaria a viajar de carro. Não é como se nada tivesse acontecido, mas é parecido com isso”, disse ele à BBC.

Ballard acha que, se estivesse viva, sua mãe poderia ter sido contrária inicialmente à sua subida. “Mas, depois, ela perceberia que eu gosto de fazer o que ela gostava de fazer”, diz.

“Ela também veria os paralelos e provavelmente gostaria, mas ainda assim ficaria preocupada”, considera.

O montanhista diz que a morte de sua mãe afetou-o como um menino de seis anos, mas não é algo sobre o qual ele pense muito hoje em dia.

Esqui

A irmã de Tom, Kate, que tinha 4 anos quando a mãe morreu, também adotou uma carreira ligada à profissão da mãe, como instrutora de esqui.

“Eu me sinto em casa nas montanhas. Não necessariamente como Tom, sozinho na montanha, mas ao ar livre podendo desfrutar do que eu gosto de fazer”, explica Kate.

“Sempre me senti mais próxima de minha mãe nas montanhas, porque é assim que eu me lembro dela. Assim que eu a vi – em fotos, filmes e livros”, afirma.

O pai dos jovens, Jim Ballard, diz que sua mulher ficaria orgulhosa com os feitos dos filhos.

“Acho que o que seria mais fora de série para ela seria pensar que sua filha pudesse se qualificar como instrutora de esqui na Suíça – em alemão”, diz Jim.

“Acho que com Tom haveria sempre um pouco de rivalidade, porque ela não aceitara tão facilmente o fato de que ele é tão bom”, diz o pai.