Talebã diz ter capturado dezenas de soldados do Paquistão

Soldado paquistanês (arquivo)
Image caption Paquistaneses são atacados com frequência pelo Talebã

O Talebã no Afeganistão afirmou nesta quarta-feira ter capturado dezenas de soldados do Paquistão depois de um ataque a um posto de controle perto da fronteira entre os dois países.

Os militantes informaram que estão mantendo prisioneiros até 40 soldados do Paquistão depois do ataque, ocorrido na segunda-feira na área tribal de Mohmand. As forças de segurança paquistanesas confirmam que há soldados desaparecidos, mas não deram um número exato.

As autoridades da região de Mohmand também confirmaram à BBC que cerca de 40 soldados estão desaparecidos.

Um comandante do Exército afegão, por sua vez, afirmou que dez soldados foram levados para o consulado paquistanês em Jalalabad, mas o Exército do Paquistão afirma que não tem conhecimento deste fato.

O repórter da BBC Ilyas Khan afirma que os ataques do Talebã em postos de checagem na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão são rotineiros, mas é raro que soldados paquistaneses sejam mantidos prisioneiros pelos militantes no território afegão.

'Propaganda'

Um porta-voz do Talebã confirmou à BBC que os militantes estão mesmo mantendo como reféns os soldados paquistaneses. De acordo com os insurgentes, 30 soldados estão no Afeganistão e dez no Paquistão.

A captura dos soldados paquistaneses ocorre num momento em que o Talebã afegão rejeitou as descobertas de um relatório que afirma que o serviço secreto paquistanês teve um envolvimento direto no apoio aos insurgentes.

Leia mais na BBC Brasil sobre o relatório

O texto, organizado por um acadêmico da faculdade London School of Economics, de Londres, afirma que o serviço secreto do Paquistão deu verbas, treinamento e refúgio para o Talebã em uma escala bem mais ampla do que se pensava anteriormente.

Em um email enviado à BBC o Talebã afirmou que o relatório é "propaganda sem fundamento".

O Talebã também negou informações de que seus integrantes enforcaram um menino de sete anos de idade na semana passada, sob acusação de espionagem, na província afegã de Helmand (sul do país).

Notícias relacionadas