Para Lula, Saramago foi 'militante da liberdade'

Lula nesta sexta-feira em fábrica no Rio (foto: Ricardo Stuckert/PR)
Image caption Lula lamentou a morte do Prêmio Nobel de literatura

Em uma nota de pesar divulgada nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descreveu o escritor português José Saramago, morto pela manhã, como um “militante das causas sociais e da liberdade”.

Ainda segundo o presidente, Saramago contribuiu “de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa”.

“De origem humilde, tornou-se autodidata e se projetou como um dos maiores nomes da literatura mundial. Nós, da comunidade lusófona, temos muito orgulho do que o seu talento fez pelo engrandecimento do nosso idioma.”

“Intelectual respeitado em todo o mundo, Saramago nunca esqueceu suas origens, tornando-se militante das causas sociais e da liberdade por toda a vida. Neste momento de dor, quero me solidarizar, em nome dos brasileiros, com toda a nação portuguesa pela perda de seu filho ilustre”, acrescentou o presidente.

Leia abaixo as reações de outras personalidades no Brasil à notícia da morte de José Saramago:

Marcos Villaça, advogado e presidente da Academia Brasileira de Letras

A Academia estava aguardando a informação de quando José Saramago viria ao Rio para providenciar a organização da sua posse na Cadeira 16 de sócio correspondente. A notícia nos deixou em estado de enorme tristeza.

A próxima sessão acadêmica, quinta-feira que vem, na ABL, será dedicada à memória do grande escritor português, por quem sempre tivemos o maior respeito e admiração.”

Nélida Piñon, escritora e integrante da Academia Brasileira de Letras

“Estou em Lisboa, onde recebo a notícia de que Saramago nos deixou. Sofro um sobressalto, uma profunda tristeza.

Perdemos um mestre da língua e da narrativa. Quem rastreou a história humana com fervor literário, talento, poderosa imaginação. Quem honrou a língua e nos inspirou admiração e orgulho. Amanhã irei ao seu velório para prestar-lhe todas as homenagens do mundo, que ele merece.”

Juca Ferreira, sociólogo e Ministro da Cultura

“A morte de Saramago significa a perda de um grande escritor, de uma pessoa que ultrapassa a fronteira de Portugal e ultrapassa inclusive a fronteira dos países de língua portuguesa.

Saramago é importante para a literatura mundial, uma pessoa extremamente crítica às características da vida nesse início de século 21, cáustico, e que deixou uma literatura reconhecida no mundo inteiro. É uma pessoa enorme.

Sempre quando uma pessoa morre há uma atenção maior sobre o valor da sua obra. Eu acho que o Brasil vai perceber que estava dando uma atenção menor do que o significado da obra dele.”

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores

“O Ministro Amorim lamenta a perda de um homem que, com sua obra, deixou uma extraordinária contribuição para a literatura mundial e para a valorização da língua portuguesa, além de representar, por sua conduta pessoal, um exemplo de atuação engajada em favor de um mundo mais justo.”

Cícero Sandroni, jornalista e escritor, membro da Academia Brasileira de Letras

“Não há como escapar do clichê. Foi uma grande perda para a literatura escrita portuguesa.

Embora tenha começado tarde, na comparação com outros escritores, desde seus primeiros livros ele fez um trabalho de destaque, na linguagem e no estilo.

Depois de Saramago, a literatura portuguesa ganhou uma projeção internacional. Ele foi fundador de um novo estilo, de uma nova visão de mundo, e certamente suas obras vão perdurar por séculos e séculos. O que podemos fazer agora é lastimar sua morte.”

Leyla Perrone-Moisés, crítica literária e professora da Universidade de São Paulo

“Qualquer que seja a posição dos leitores com respeito às opiniões políticas do homem Saramago, ninguém pode acusá-lo de ter feito literatura partidária ou militante.

O romancista defendeu suas ideias não com pregação política ou lições de moral, mas por meio da melhor literatura de ficção, aquela que, nos prendendo com histórias envolventes e nos embalando numa linguagem musical, nos faz refletir sobre a história passada e a sociedade atual.

Apesar da firmeza de suas ideias, em seus romances Saramago sempre tratou a história e a realidade com mão leve, num registro imaginário ou mesmo fantástico que, ao levantar o leitor do chão, a este o devolvia mais lúcido e mais fraterno.”

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