Ministro do Exterior argentino renuncia ao cargo

Jorge Taiana em Madri (arquivo)
Image caption Taiana era o ministro das Relações Exteriores desde 2005

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, renunciou nesta sexta-feira ao cargo, que ocupava desde 2005.

Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores informou que Taiana entregou uma carta ao secretário Legal e Técnico da Presidência, Carlos Zanini, na qual pediu demissão "em forma indeclinável". E que a decisão foi tomada após uma conversa telefônica com a presidente Cristina Kirchner.

O ministro-chefe da Casa Civil, Aníbal Fernandez, disse que Taiana decidiu se afastar do cargo por motivos pessoais e que será substituído pelo atual embaixador do país em Washington, o jornalista Héctor Timerman.

A decisão do chanceler surpreendeu autoridades e a imprensa local.

‘Falta de apoio’

Assessores do Ministério afirmaram que Taiana reclamou da "falta de apoio" e "diferenças irreconciliáveis" para a "implementação de medidas de políticas exterior".

O jornalista Gustavo Sylvestre, da emissora de televisão TN (Todo Noticias), disse que Cristina Kirchner e Taiana teriam tido uma "forte discussão", nesta sexta-feira, antes do pedido de demissão.

A mesma emissora disse que a presidente teria reprovado o vazamento de informações de que Argentina e Uruguai planejariam pedir ajuda ao governo brasileiro no caso de uma fábrica de celulose na fronteira, que é motivo de discórdia entre Montevidéu e Buenos Aires há mais de quatro anos.

Além disso, outros fatores – como uma viagem que foi recentemente cancelada por Kirchner à China e alegações de que funcionaria em Caracas uma “embaixada paralela”, ligada à Presidência e não à chancelaria – também teriam contribuído para uma suposta insatisfação de Taiana.

"A relação começou a desgastar quando a presidente disse, publicamente, que tinha chegado atrasada por culpa dele à reunião do Mercosul, no Paraguai (em julho de 2009). Mas várias visões diferentes sobre política externa foram se somando. Pode-se dizer que Venezuela também (foi um fator), mas não foi algo especifico e sim um conjunto", disse um dos assessores de Taiana à BBC Brasil.

Segundo ele, não foi pelo vazamento de informação de que se pediria ajuda ao Brasil que Taiana renunciou.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Alfredo Atanasoff, disse que foi "surpreendido" com a renúncia.

"Fomos todos surpreendidos com essa notícia. Percebíamos vários itens que geravam tensão na política externa argentina com a China e com Estados Unidos, mas não esperávamos pela saída dele", disse Atanasoff.

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