Copa e chuva podem afetar participação em eleições na Colômbia

Presidente Álvaro Uribe vota em Bogotá (Reuters)
Image caption Candidato governista é favorito nas pesquisas de intenção de votos.

Cerca de 30 milhões de colombianos são esperados nas urnas neste domingo para definir em segundo turno o futuro presidente do país após oito anos de governo de Álvaro Uribe.

As urnas foram abertas às 8h em Bogotá (10h em Brasília), com pouca presença de eleitores nas primeiras horas, fator que aumenta os temores de que neste segundo turno, com mau tempo e jogos importantes da Copa, como a disputa entre Brasil e Costa do Marfim, a abstenção possa superar os 50% registrados no primeiro turno.

O governista Juan Manuel Santos, do partido da "U", visto como o herdeiro do uribismo, aparece como favorito nas pesquisas de intenção de votos, com pelo menos 25 pontos à frente de seu adversário do partido Verde, Antanas Mockus, ex-prefeito de Bogotá.

Santos venceu o primeiro turno com mais de 46% dos votos - 3,6 milhões à frente de seu adversário do Partido Verde, Antanas Mockus, que obteve 21%.

Futebol

"As partidas do campeonato são agradáveis. O esporte une a humanidade, mas muito mais agradável é depois de ter votado, para cumprir com o dever democrático da eleição do novo presidente da República", afirmou o presidente colombiano Álvaro Uribe, o primeiro eleitor a votar nesta manhã no centro de votação instalado na Praça de Bolívar, a poucos metros da casa de governo.

Minutos depois, foi a vez de o candidato do partido Verde, Antanas Mockus, convocar os eleitores às urnas. "Às vezes as pessoas só apreciam algo quando perdem. Aproveitemos a oportunidade de votar (...) cada voto pode ser decisivo", afirmou Mockus, minutos depois de votar no centro de Bogotá.

"Aquele que participa ajuda a corrigir (os problemas), mais do que os que ficam em casa", acrescentou.

A preocupação pela abstenção também pode ser vista na imprensa local. "O jogo de hoje dura quatro anos", disse um comentarista de uma rádio local, ao convocar a população a participar das eleições.

"Façam as duas coisas, escutem o jogo e votem", recomendou o locutor.

Outro fator que não está estimulando o colombiano a sair de casa é o mau tempo. A previsão para este domingo é de chuva em todo o país, de acordo com o Instituto de Metereologia da Colômbia.

O Movimento de Observação Eleitoral (MOE) considera que além destes fatores, o amplo favoritismo do candidato governista e a semelhança de projetos entre os dois candidatos podem contribuir à alta abstenção.

"Ao menos um milhão de eleitores não veem em nenhum dos dois candidatos uma opção, haverá dois jogos importantes da Copa e um número importante de eleitores veem o favoritismo de um dos candidatos como um fator desestimulante, porque pensam que seu voto não fará diferença no resultado", afirmou à BBC Brasil Arial Ávila, analista do MOE.

Herdeiro

Analistas consideram que a consolidação da candidatura de Santos se deve à herança de Uribe, que pode terminar o mandato com mais de 70% de popularidade, e ao uso da máquina do Estado, em especial dos votos de eleitores beneficiários de programas sociais do atual governo.

Outro fator é a ampla aliança feita com os demais partidos conservadores, cujo apoio pode incrementar de maneira significativa o número de votos a seu favor neste segundo turno.

"Se Santos vencer com uma ampla votação terá maior liberdade para governar e colocar características próprias a seu governo, sem estar atado à figura do presidente Uribe", afirmou à BBC Brasil a analista política Maria Teresa Ronderos.

Se essa tendência for confirmada, Ronderos acredita que Santos poderá fazer um governo "mais institucional e menos populista".

"Santos pode ter a opção de fazer um governo diferente, mais respeitoso das instituições e menos agressivo, inclusive com os países vizinhos", disse.

"A incógnita é se ele estará disposto a romper com as máfias no Congresso e com o sistema clientelar de governar."

Diferenças

Por outro lado, Mockus, que durante o primeiro turno foi visto como um fenômeno eleitoral utilizando redes sociais como Facebook e Twitter, com uma mensagem direta de ataque ao clientelismo, corrupção e desigualdade, teria cometido erros durante debates televisivos que teriam "desinflado" sua candidatura, de acordo com analistas.

Para Ronderos, o desafio de Mockus neste domingo será manter os três milhões de votos conquistados no primeiro turno. "Se isso acontecer, já será um resultado bastante significativo para a oposição", afirmou.

Durante a campanha, ambos candidatos prometeram dar continuidade à política de segurança do presidente colombiano Álvaro Uribe, principal marca do atual governo, e a seus principais programas sociais.

A diferença entre os dois candidatos, no entanto, está no estilo. Santos preferiu não marcar diferença entre ele e o presidente Álvaro Uribe, de olho na capitalização dos votos do atual presidente, e convocou os colombianos a "não mudar o rumo".

Mockus, por sua vez, utilizou escândalos como execuções extra-judiciais e a aliança entre políticos e paramilitares para defender a "legalidade" e "honestidade" para resolver os problemas do país.

Eleito em 2002 e reeleito em 2006, com a promessa de enfrentar as guerrilhas, Uribe implementou uma ofensiva militar sem precedentes, principalmente através de sua política "Segurança Democrática" e da ampliação do "Plano Colômbia" – um acordo de cooperação militar com os Estados Unidos.

Quem sair vitorioso das urnas neste domingo receberá um país com 45,5% de pobres, 5,2 % menos que há oito anos, com uma taxa de desemprego de 12%, uma das mais altas da América Latina e com um déficit fiscal estimado em mais de 4% do Produto Interno Bruto.

O resultado final da eleição deve ser divulgado a partir das 18h em Bogotá (20h em Brasília).

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