Ruanda nega envolvimento em atentado contra ex-chefe do Exército

Faustin Kayumba Nyamwasa
Image caption Nyamwasa vive exilado na África do Sul desde fevereiro.

O governo de Ruanda negou qualquer envolvimento no atentado contra o ex-chefe do Estado-maior das Forças Armadas do país, o general Faustin Kayumba Nyamwasa, que foi atacado a tiros na África do Sul neste sábado.

Nyamwasa, um crítico do presidente de Ruanda, Paul Kagame, foi operado e se recupera em um hospital em Johanesburgo.

De acordo com pessoas próximas do general, ele poderá ser liberado para ir para a casa dentro de alguns dias.

A mulher do general, Rosette Nyamwasa, disse que o atentado foi uma tentativa de assassinato.

Mas a Ministra do Exterior de Ruanda, Louise Mushikiwabo, disse à BBC que o governo não perdoa violência.

De acordo com o analista de África da BBC, Martin Plaut, desde que deixou a capital do país, Kigali, rumo à África do Sul, em fevereiro, Nyamwasa é uma pedra no sapato de Kagame, quem ele acusa de corrupção.

Luta com atirador

Nyamwasa e a mulher estavam voltando das compras para a casa por volta do meio-dia de sábado quando um homem armado se aproximou do carro em que estavam.

"(O homem armado) falou com meu motorista, mas ele queria espaço para conseguir atirar no meu marido", afirmou Rosette à BBC.

"Então, quando meu marido se curvou, ele atirou. E, felizmente, entrou no estômago e não na cabeça."

"Meu marido saiu imediatamente. E ele agarrou a arma. Naquela briga, o homem não conseguiu carregar a arma."

Ela acrescentou que Kagame queria seu marido morto.

"Kagame disse no parlamento que vai de fato matar meu marido, de que seja onde ele estiver, ele vai atrás dele e vai matá-lo", afirmou Rosette.

Porém, a ministra do Exterior disse à BBC por meio de um comunicado que o governo de Kagame "não perdoa violência" e que ela confiava na África do Sul para investigar o atentado.

Em uma entrevista concedida após a emissão do comunicado, Mushikiwabo disse que existem provas de que Nyamwasa foi responsável por uma campanha de violência em Ruanda.

"Não vou especular muito mais, já que este é um caso que ainda tem de ser julgado, mas existem acusações muito sérias contra ele sobre suas ligações com redes que tem plantado granadas no país desde o início do ano", disse a ministra no programa da BBC Newshour.

Nyamwasa negou as alegações.

Desentendimento

O analista da BBC Martin Plaut disse que o general Nyamwasa era um dos confidentes mais próximos de Kagame até eles se desentenderem.

Desde que chegou à África do Sul, o general vinha acusando o presidente de corrupção, acusações que foram negadas pelas autoridades de Ruanda.

Ele também afirmou que o sistema judiciário estaria comprometido e em uma recente entrevista à BBC, disse que os juízes eram agora "propriedade do presidente Paul Kagame".

Dois meses após Nyamwasa ter se exilado, juntamente com outro oficial militar de alta patente, Kagame fez uma reforma na liderança do Exército - antes das eleições previstas para agosto.

As eleições vão ser a segunda votação para presidente desde o genocídio de 1994, em que 800 mil tutsis e hutus moderados foram mortos.

Nyamwasa teve um papel importante no grupo rebelde Frente Patriótica de Ruanda, que acabou com os assassinatos, e que agora está no poder.

Porém, França e Espanha emitiram mandados de prisão contra Nyamwasa por suas ações antes e durante o genocídio.

Kagame, que está no poder há 16 anos, é visto por muitos no Ocidente como um dos líderes mais dinâmicos da África.

Porém, alguns críticos o acusam de ser autoritário e seu governo foi recentemente acusado de ameaçar a oposição antes das eleições.

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