Funcionário diz ter avisado BP sobre defeito em plataforma semanas antes de explosão

Vazamento
Image caption Mancha de petróleo ocupa área do tamanho da Escócia

Um funcionário da BP afirmou ter avisado a empresa sobre um vazamento que descobriu no equipamento de segurança da plataforma Deepwater Horizon semanas antes da explosão no Golfo do México.

Em entrevista à BBC, Tyrone Benton afirmou que, apesar do aviso, os responsáveis pela plataforma decidiram simplesmente desligar o aparelho de segurança em vez de consertá-lo. Um segundo equipamento foi acionado, segundo ele.

As declarações foram feitas em entrevista ao programa de TV Panorama, da BBC, que vai ao ar nesta segunda-feira na Grã-Bretanha.

A plataforma explodiu em 20 de abril passado, causando a morte de 11 funcionários. A BP afirma que a proprietária da plataforma, Transocean, é responsável pela operação e manutenção do equipamento.

A Transocean, por sua vez, afirma que testou a válvula de segurança três dias antes da explosão e que, na ocasião, o dispositivo funcionava.

‘Inaceitável’

Benton disse à BBC que o problema identificado por ele estava na câmara de controle de um equipamento conhecido como Blow Out Preventer (BOP) - que, segundo análises, falhou na explosão da Deepwater Horizon.

Colocado na saída de poços de petróleo, o BOP é considerado o equipamento de segurança mais crítico a bordo de uma plataforma, instalado justamente para evitar vazamentos como o que ocorreu no Golfo do México.

O BOP tem "tesouras" gigantes desenhadas para cortar e selar o principal cano do poço. Segundo Benton, o problema foi encontrado na câmara de controle do BOP.

"Vimos um vazamento na câmara de controle e informamos os funcionários da empresa", disse Benton. "Eles têm uma sala onde podem desligar aquele equipamento e ligar outro, para não interromper a produção."

Benton disse que seu supervisor enviou um e-mail tanto para a BP como para a Transocean para informar sobre os vazamentos descobertos.

Custo

Benton afirmou não saber se a câmara que apresentou o vazamento voltou a ser ligada antes do desastre ou não.

Ele disse que, para consertar a unidade, a BP teria que interromper a perfuração na plataforma. O custo diário de operação da Deepwater Horizon é de US$ 500 mil.

O deputado americano Henry Waxman, que está supervisionando as investigações do Congresso sobre a explosão e o vazamento da plataforma, acusou a BP de cortar gastos com segurança para economizar dinheiro.

"A BP parece ter tomado uma série de decisões por razões econômicas que aumentaram os riscos de uma falha catastrófica no poço", disse Waxman.

O presidente-executivo da BP, Tony Hayward, sabatinado pelo Congresso americano na semana passada, afirmou: "Não vi prova de nada até agora que sugira que alguém tenha colocado os custos acima da segurança. Se houver, vamos tomar medidas".

Cimento

O Congresso americano identificou uma série de outros problemas com o BOP, inclusive de desenho, modificações inesperadas e bateria gasta.

Segundo o Legislativo americano, há indícios de que o uso de cimento - material que impede o escape de gases explosivos - na Deepwater Horizon não tenha sido realizado da maneira apropriada.

A BP afirmou ter indícios do contrário. A empresa responsável pela aplicação de cimento na plataforma, a Halliburton, disse que a instalação foi feita seguindo os padrões de outros trabalhos da empresa.

Vários funcionários da plataforma disseram à BBC que, em abril, havia pressão na Deepwater Horizon para concluir rapidamente o trabalho de preparação do poço, que estava atrasado.

"Muitas tarefas estavam sendo feitas ao mesmo tempo. As coisas deveriam ter sido feitas mais devagar, uma de cada vez, para que tivéssemos certeza de que tudo havia sido feito da maneira que tem ser feito", disse Benton, que agora está processando a BP e a Transocean por negligência.

A BP respondeu às críticas afirmando que a Transocean era responsável pela manutenção e operação do BOP.

Notícias relacionadas