Anúncio chinês sobre taxa de câmbio anima mercados

Iuans e dólares
Image caption Cotação do iuan subiu 0,4%, ao valor mais alto desde 1994

Os mercados de ações e as moedas asiáticas fecharam em alta nesta segunda-feira, após o anúncio da China no fim de semana de que flexibilizará a taxa de câmbio de sua moeda, o yuan.

O índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, terminou o dia com uma alta de 3,08%, enquanto o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 2,43%.

As principais moedas asiáticas, entre elas o won sul-coreano, o ringgit malaio e o iene japonês, tiveram altas entre 1% e 3%.

As bolsas europeias também abriram em alta nesta segunda-feira. Às 11h45 de Londres (7h45 de Brasília) o índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, registrava alta de 1,03%.

No mesmo horário, o índice CAC, da Bolsa de Paris, subia 1,63%, e o índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, registrava alta de 1,42%.

Moeda estável

As autoridades chinesas anunciaram no sábado os planos para a flexibilização da taxa de câmbio do yuan, mantida há dois anos praticamente fixa em relação ao dólar americano.

O Banco Central chinês, porém, descartou grandes desvalorizações do yuan e afirmou que planeja manter a moeda “estável”.

O anúncio, feito antes da reunião de cúpula do G20, no fim do mês, reduziu os temores dos mercados sobre uma possível guerra comercial entre a China e os Estados Unidos.

A China vem sofrendo uma intensa pressão nos últimos meses, principalmente dos Estados Unidos e da Índia, para permitir a valorização do yuan.

Os Estados Unidos reclamam que a China mantém artificialmente baixo o valor do yuan para ajudar seus exportadores.

Valorização

Entre 2005 e 2008, a China permitiu uma valorização de 21% do yuan, mas desde julho de 2008 o Banco Central do país publica diariamente o valor da taxa de câmbio fixa em relação ao dólar, sem variações consideráveis nesse período.

A taxa desta segunda-feira permaneceu inalterada em relação à da sexta-feira, indicando que o Banco Central não vai correr para permitir a valorização do yuan.

O Banco Central permite uma variação da taxa de câmbio de 0,5% para cima ou para baixo em relação à taxa oficial, mas na prática esses movimentos raramente foram permitidos no passado.

Nesta segunda-feira, porém, com as especulações sobre a mudança da política cambial, as pressões do mercado elevaram o yuan em 0,4%, para o nível mais alto da moeda desde 1994.

Para muitos especialistas, essa variação já mostra um nível de flexibilidade mais alto do que o esperado.

Estabilidade

Em seu comunicado na sexta-feira, o Banco Central chinês disse que a “estabilidade básica” do yuan será mantida e que a manutenção da moeda em um nível “razoável e balanceado” ajudaria a garantir a estabilidade econômica.

“Não há atualmente uma base para uma grande flutuação ou mudança na taxa de câmbio”, afirma o comunicado no site do Banco Central.

“Esta administração e ajuste da taxa de câmbio precisa ser feita de maneira gradual”, diz.

Analistas consideram possível que as autoridades chinesas adotem a política de fixar o câmbio do yuan a uma cesta de moedas que reflita melhor os mercados de exportação do país.

A Europa é o maior mercado das exportações chinesas, e a queda do euro em mais de 17% em relação ao dólar e ao yuan desde dezembro tornou as exportações chinesas menos competitivas.

As discussões sobre a moeda chinesa devem ser uma das principais questões da agenda da cúpula do G20 no fim do mês no Canadá.

De acordo com a editora de economia da BBC Stephanie Flanders, o momento do anúncio chinês não é uma coincidência.

“Como sempre, a formulação do anúncio é vaga”, diz Flanders. “Mas a suposição é de que a China planeja voltar à política de permitir que sua taxa de câmbio se aprecie em termos reais em relação ao dólar.”

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