Obama demite comandante militar no Afeganistão após críticas

O general Stanley McChrystal
Image caption McChrystal foi afastado após fazer críticas a membros do governo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira a demissão do general Stanley McChrystal do posto de comandante das forças militares lideradas pela Otan no Afeganistão.

McChrystal, até então o principal comandante militar americano no país asiático, estava envolvido em uma polêmica após a divulgação de críticas feitas por ele a membros do governo, será substituído pelo general David Petraeus, o atual chefe do Comando Central dos Estados Unidos.

“Hoje eu aceitei a renúncia do general Stanley McChrystal como comandante da Força Internacional de Assistência para Segurança no Afeganistão (Isaf, na sigla em inglês, a força internacional liderada pela Otan). Eu o fiz com grande pesar, mas também com a certeza de que é o correto para a nossa missão no Afeganistão, para os nossos militares e para o nosso país”, disse Obama, após reunir-se com McChrystal pela manhã na Casa Branca.

A saída de McChrystal ocorre um dia depois de virem a público as críticas feitas pelo general a membros do governo americano, publicadas em um perfil na revista Rolling Stone que chega às bancas americanas nesta sexta-feira.

Após a divulgação dos comentários, McChrystal, que já havia se desculpado, foi convocado por Obama de volta a Washington para explicar suas declarações.

No artigo, o general faz críticas ao vice-presidente, Joe Biden, ao embaixador americano no Afeganistão, Karl Eikenberry, ao assessor de Segurança Nacional, James Jones, e ao enviado especial americano ao Afeganistão e ao Paquistão, Richard Holbrooke.

Conduta

“A conduta representada no artigo recentemente publicado não segue os padrões que devem ser estabelecidos por um comandante”, disse Obama.

Image caption Obama fez o anúncio no jardim da Casa Branca, junto com o vice, Joe Biden (esq.) e o general David Petraeus

“Enfraquece o controle civil das Forças Armadas que está no centro do nosso sistema democrático. E corrói a confiança necessária para nossa equipe trabalhar unida para atingir nossos objetivos no Afeganistão”, afirmou o presidente.

Obama disse que, como comandante-em-chefe das Forças Armadas, é sua tarefa assegurar que nenhuma distração atrapalhe a missão americana no Afeganistão.

“Isso inclui a adesão a um rígido código de conduta. A força e a grandeza das nossas Forças Armadas estão enraizadas no fato de que esse código se aplica igualmente a soldados recém alistados e aos generais que os comandam”, afirmou.

“Também é verdade que a nossa democracia depende de instituições que sejam mais fortes que indivíduos. Isso inclui a rigorosa adesão à cadeia de comando militar e o respeito ao controle civil sobre essa cadeia de comando”, disse Obama.

Estratégia

O presidente disse que sua decisão não foi motivada por diferenças com McChrystal em relação à estratégia do país nem por qualquer tipo de sentimento de “insulto pessoal”, e elogiou o general.

“Stan McChrystal sempre demonstrou grande cortesia e cumpriu minhas ordens fielmente. Tenho grande admiração por ele e por seu longo registro de serviço”, disse Obama.

“Nos últimos nove anos, com os Estados Unidos lutando guerras no Iraque e no Afeganistão, ele conquistou uma reputação como um dos melhores soldados da nossa nação. Sua reputação é baseada em sua extraordinária dedicação, sua profunda inteligência e seu amor ao país.”

McChrystal havia assumido o comando das forças no Afeganistão em maio do ano passado e participou das discussões sobre a nova estratégia americana no país, inclusive o envio de 30 mil homens adicionais.

Obama disse, porém, que tem a responsabilidade de fazer o que for necessário para que os Estados Unidos possam ser bem sucedidos no Afeganistão e derrotar a rede extremista Al-Qaeda.

“Acredito que essa missão exige união de esforços dentro da nossa aliança e da minha equipe de segurança nacional. E não acho que possamos sustentar essa união de esforços e atingir nossos objetivos no Afeganistão sem fazer essa mudança”, afirmou.

O presidente disse ainda que é favorável ao debate dentro de sua equipe. “Mas não vou tolerar divisão”, afirmou.

Reação

O porta-voz da Presidência do Afeganistão, Wahid Omar, disse lamentar a saída de McChrystal, mas elogiou Petraeus.

“O general McChrystal era um parceiro importante e confiável para o governo e o povo afegão e nós esperávamos que isso não acontecesse. No entanto, este é um assunto interno do governo dos Estados Unidos e nós respeitamos a decisão do presidente Obama”, disse o porta-voz.

“Nós estamos ansiosos para trabalhar com o general Petraeus, um soldado muito experiente, que o presidente (do Afeganistão, Hamid) Karzai conhece bem”, afirmou.

Ao anunciar a saída de McChrystal, Obama disse que a troca de comando não representa uma mudança na política dos Estados Unidos para o Afeganistão.

“O general Petraeus participou inteiramente da nossa revisão (da estratégia)”, disse Obama. “E ele ajudou a projetar a estratégia que temos atualmente.”

Petraeus deverá assumir o posto assim que for aprovado pelo Congresso americano.

“Peço ao Senado que o confirme em sua nova tarefa o mais rápido possível”, disse Obama.

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