Estratégia no Afeganistão não muda com saída de comandante, diz Obama

General Stanley McChrystal
Image caption O general Stanley McChrystal apresentou sua demissão na quarta-feira

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que a estratégia militar no Afeganistão não será afetada pela demissão do general Stanley McChrystal, o principal comandante americano no país da Ásia central.

Segundo Obama, será uma “mudança de pessoal, mas não de política”.

McChrystal foi forçado a deixar o cargo depois de ter concedido uma entrevista zombando de altos funcionários do governo, a ser publicada na edição da revista Rolling Stone que chega às bancas nesta sexta-feira.

O general britânico Nick Parker assumiu o comando interino das forças da Otan no Afeganistão, até que a nomeação do general americano David Petraeus para substituir McChrystal seja confirmada pelo Congresso dos EUA.

O general Petraeus foi o arquiteto do plano de aumento do número de tropas no Iraque.

Outros países ocidentais envolvidos na luta contra os insurgentes no Afeganistão confirmaram que a estratégia não vai mudar.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que, apesar de o general McChrystal não estar mais à frente das forças multi-nacionais no Afeganistão, “a maneira de agir que ele ajudou a colocar em prática é a certa”.

“A estratégia continua a ter o apoio da Otan, e nossos soldados vão continuar a levá-la adiante”, disse ele.

Por outro lado, agências de notícias internacionais anunciaram que o mês de junho registrou o número mais alto de mortos de soldados estrangeiros na guerra no Afeganistão.

Segundo a agência Associated Press (AP), 80 soldados morreram, entre eles quatro soldados da Otan, mortos em um acidente no sul do país, na quarta-feira. Um porta-voz do Exército americano disse à AP que os quatro não eram americanos, mas não informou de que nacionalidade eram.

Futuro incerto

A atual estratégia contra os insurgentes no Afeganistão, estabelecida pelo general McChrystal, combina o aumento do número de tropas, maior proteção aos civis e mais responsabilidade para autoridades afegãs.

A demissão do general McChrystal não alterou sua patente, mas segundo o jornal americano New York Times, seu futuro no Pentágono é incerto.

Leia mais: McChrystal passa de bem-visto pela mídia a comandante encrenqueiro

As forças americanas e da Otan estão envolvidas em uma operação-chave contra o Talebã na cidade de Kandahar, sul do país, e seus arredores.

No início do mês, o general McChrystal disse que a operação em Kandahar iria ocorrer de forma mais lenta do que o planejado para garantir o apoio dos moradores locais.

A estratégia americana também prevê que o número de soldados estrangeiros no país chegue a 15 mil até agosto.

Em seu perfil a ser publicado pela revista Rolling Stone, McChrystal e seus assessores teriam zombado do presidente Obama e de outros altos funcionários do governo.

Na entrevista, o general descreveu como “doloroso” o período no ano passado, em que o presidente Obama se moveu lentamente para aprovar o envio de mais milhares de soldados americanos para o Afeganistão.

E ao se referir a uma reunião crucial entre o general e o presidente no Salão Oval da Casa Branca, no ano passado, um de seus assessores disse que “o presidente não pareceu muito envolvido. O chefe (general McChrystal), ficou muito decepcionado”.

‘Pesar’

O anúncio de que o general McChrystal deixaria o posto foi feito depois de um encontro com o presidente Obama na quarta-feira, na Casa Branca, em que os dois discutiram o artigo da revista.

Leia mais em: Comandante dos EUA no Afeganistão é convocado por Washington

Obama disse que tomou a decisão de substituir McChrystal “com pesar”, mas acrescentou que ele falhou em “cumprir os padrões que deveriam ser estabelecidos por um general no comando”.

“Não tomei esta decisão com base em nenhuma diferença de política com o general McChrystal... nem tomei a decisão por qualquer sensação de insulto pessoal”, disse Obama.

O presidente afirmou que acolhe o debate em sua equipe, mas que não vai tolerar divisão.

Em um comunicado, McChrystal afirmou que renunciava por conta de um “desejo de ver a missão bem sucedida”.

“Apoio fortemente a estratégia do presidente no Afeganistão e estou profundamente comprometido com nossas forças da coalizão, nossos países parceiros e o povo afegão”, disse ele.

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