Gol não marcado leva ingleses a fazer coro por tecnologia de tira-teima em jogos de futebol

Image caption O meia Frank Lampard observa seu chute vencer o goleiro Manuel Neuer

Magoados por um gol não marcado da Inglaterra apesar de a bola ter cruzado a linha do gol alemão no confronto entre os dois times nas oitavas-de-final da Copa do Mundo, neste domingo, os comentaristas ingleses fizeram coro reivindicando à Fifa que passe a utilizar tecnologia para tirar as dúvidas de lances polêmicos.

Aos 38 minutos do segundo tempo, com seu time perdendo por 2 x 1, o meia Frank Lampard chutou forte e acertou o travessão do goleiro alemão Manuel Neuer. Replays mostraram claramente que a bola entrou, mas o gol não foi marcado pelo juiz uruguaio J. Larriano e auxiliares.

"É incrível! Estamos em 2010, é uma indústria bilionária, e (o futebol) é o único esporte onde não se usa a tecnologia (para tirar dúvidas)", exclamavam os comentaristas que transmitiam o jogo pela BBC. "Estaríamos dizendo o mesmo se fosse a Alemanha."

Um minuto antes, após um início de jogo em que concedeu diversas oportunidades de gol à equipe alemã, a Inglaterra ameaçava "renascer das cinzas" e marcava um gol com uma cabeçada certeira do zagueiro Matthew Upson.

Matematicamente, o gol anulado não marcado não seria suficiente para reverter o placar final de 4 x 1 a favor da Alemanha, mas os analistas apontaram que, vindo logo após a reação, e podendo zerar o saldo de gols entre as duas equipes antes do fim do primeiro tempo, o ponto provavelmente teria um forte efeito psicológico a favor dos ingleses.

No intervalo, quando em vez de estar empatado o jogo era liderado pela Alemanha, o ex-atacante da Inglaterra e atual comentarista Alan Shearer se indignava, afirmando que cada vez jogadores e treinadores de peso têm expressado apoio à ideia de utilizar tecnologia de tira-teima durante os jogos.

"Menos uma pessoa", reclamava Shearer, referindo-se à recusa do presidente da Fifa, Joseph Blatter, em adotar esse recurso.

Em março, o órgão regulador do futebol rejeitou utilizar recursos tecnológicos na linha do gol. Os dois principais eram a inserção de um chip dentro da bola, que monitoraria a sua posição ao longo de jogo, e o sistema Hawk-Eye (Olho de Falcão), utilizado nas partidas de tênis.

"Era muito importante para nós fazer aquele segundo gol. Não entendo por que, em tempos de tanta tecnologia, ainda estamos discutindo isso", balbuciava, ainda desconcertado, o treinador inglês Fábio Capello, em uma entrevista à BBC logo após a pior derrota da Inglaterra em uma Copa do Mundo.

"Acho que jogamos bem até o 2 a 1. Tínhamos de ter feito 2 a 2, mas aí ficamos desapontados com os erros e eles (os alemães) contra-atacaram bem. A Alemanha é um grande time e eles jogaram bem. Nós erramos, mas o juiz errou ainda mais. Isto é futebol."

<b>Vitória arrasadora</b>

Alheia ao desespero inglês, a mais jovem equipe da história da Alemanha soube aproveitar as oportunidades abertas pela Inglaterra e emendar contra-ataques rápidos.

No segundo tempo, em duas jogadas matadoras dentro de um período de cinco minutos, o atacante Thomas Mueller, com pouca marcação, fez os dois últimos gols que silenciaram as esperanças da Inglaterra de avançar na Copa do Mundo.

Os ingleses nunca bateram uma equipe campeã mundial em um jogo de mata-mata da Copa do Mundo - à exceção de quando o torneio foi disputado na Inglaterra, em 1966.

Foi também a única ocasião em que os jogadores nacionais conquistaram o caneco para o país.

Ao final do jogo, os próprios comentaristas na TV e no rádio ingleses concediam, incondicionalmente, que a vitória "era alemã".

"Precisamos dar os parabéns aos alemães. Eles demonstraram um poder de fogo incrível", disse o ex-craque inglês Gary Lineker, que encabeça mesas redondas na BBC após os jogos.

A vitória deu à Alemanha o direito de avançar para as quartas-de-final da Copa do Mundo e pegar o vencedor de Argentina x México.