Prisão de peruanos por espionar para a Rússia causa surpresa nos EUA

Desenho Vicky Pelaez durante audiência em Manhattan
Image caption A jornalista Vicky Peláez também tem a cidadania americana

A prisão nos Estados Unidos da jornalista peruano-americana Vicky Peláez e de seu marido, Juan Lázaro, também de nacionalidade peruana, sob suspeita de espionar para a Rússia, surpreendeu colegas e vizinhos do casal.

Peláez é colunista do jornal hispânico El Diario La Prensa e foi detida juntamente com Lázaro no domingo em sua casa na cidade de Yonkers, no Estado de Nova York. Ambos compareceram a uma audiência na segunda-feira em um Tribunal Federal em Manhattan, na cidade de Nova York.

O subdiretor do jornal La Prensa, Miguel Sarmiento, disse em uma entrevista para a emissora de rádio Radio Programas del Perú (RPP) que os colegas de Peláez ficaram surpresos com as acusações contra ela e que a redação do jornal nunca foi notificada pelas autoridades americanas.

A prisão de Peláez e Lázaro também causou surpresa entre os vizinhos da família em Yonkers, onde eles viviam.

"Eu os via no bairro. No geral, eram pessoas muito tranquilas, chamavam pouco a atenção. O único chamativo (da família) era o cachorro, que latia muito durante a noite", disse Johnathan Kroll, um dos vizinhos do casal.

Peláez e Lázaro - que tem origem uruguaia -, moram nos Estados Unidos há mais de 20 anos e já têm a cidadania americana.

Os dois enfrentam acusações de conspiração por agirem como agentes de um governo estrangeiro, o que pode levar a uma pena máxima de cinco anos de prisão.

Eles também estão entre oito dos detidos que enfrentam acusações de conspiração para lavagem de dinheiro, cuja pena máxima de prisão chega a 20 anos.

Documentos

Documentos jurídicos das autoridades americanas, compilados depois de uma longa investigação, indicam que Peláez e Lázaro viajaram durante vários anos a um país sul-americano que não foi identificado, onde "passavam mensagens secretas" para as autoridades russas, e recebiam dinheiro em troca de seus serviços.

Na próxima audiência, que deve ocorrer no dia 28 de julho em Manhattan, será decidido se o casal poderá ser libertado sob fiança.

A jornalista e seu marido estão entre as dez pessoas presas nos Estados Unidos sob suspeita de espionagem para a Rússia. O 11º suspeito, identificado como Christopher Metsos, foi preso nesta terça-feira na ilha mediterrânea de Chipre quando tentava ir para Budapeste.

Image caption Lázaro tem origem uruguaia, mas é cidadão peruano

O colaborador da BBC em Lima Javier Lizarzaburu disse que o governo peruano ainda não vai se pronunciar sobre as prisões, pois considera o assunto um caso dos Estados Unidos e do FBI.

Vídeos e causas

O FBI afirma que tem vídeos que, supostamente, mostram que Peláez recebeu verbas de um funcionário russo na América do Sul, aproximadamente no dia 14 de janeiro de 2000. Também afirma que Lázaro conseguiu dinheiro em circunstâncias parecidas, provavelmente em 25 de agosto de 2007.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou, por meio de um comunicado, que a lei proíbe que estas pessoas atuem nos Estados Unidos como agentes de um governo estrangeiro sem autorização prévia.

O jornalista Manuel Avendaño, colega de trabalho de Peláez no La Prensa, de Nova York, disse à RPP que conversou com o filho mais velho da jornalista, Waldo Mariscal, e ele afirmou que sua mãe é uma perseguida política.

De acordo com Mariscal, a prisão ocorreu porque há muito interesse em silenciar Peláez, que criticava constantemente o governo americano.

Mas o subdiretor do jornal La Prensa, Miguel Sarmiento, afirmou à RPP que a prisão da jornalista "não é uma represália por sua postura de crítica ao governo americano, a liberdade de expressão aqui (nos Estados Unidos) é sagrada".

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