Distantes do futebol-arte, Brasil e Holanda fazem duelo da eficiência

Dunga
Image caption Dunga envolveu-se em polêmica com Cruyff sobre futebol arte

Brasil e Holanda voltam a se encontrar em uma Copa do Mundo nesta sexta-feira, em Port Elizabeth, em busca de uma vaga nas semi-finais.

Conhecidas por terem tradicionalmente um futebol bonito e de muita técnica, as duas seleções - que já se enfrentaram em outras três Copas do Mundo - chegam à África do Sul criticadas por apresentarem um estilo de jogo muito diferente, de muita força e eficiência.

Sob o comando dos técnicos Bert van Marwijk e Dunga, Holanda e Brasil podem não apresentar o futebol-arte que caracterizou as escolas holandesa e brasileira, mas os números impressionam.

Com Dunga, o Brasil venceu 40 partidas, empatou 12 e perdeu cinco.

Já a Holanda está invicta há 23 partidas. A última derrota - e a única da era van Marwijk - foi em setembro de 2008, um mês após o técnico assumir a equipe. A Holanda perdeu para a Austrália por 2 a 1. Em 24 jogos sob o comando do treinador, os holandeses venceram 17 partidas e empataram seis.

Pouco caso

Os dois técnicos têm feito pouco caso com as críticas de que seus times não jogam mais um futebol de espetáculo.

Image caption O Brasil eliminou a Holanda na Copa de 1994

Após a vitória da Holanda por 1 a 0 sobre o Japão, na segunda rodada da Copa, van Marwijk disse que adoraria ver seu time jogar como em épocas passadas, mas que o importante mesmo é vencer.

"É claro que queremos ganhar jogando ótimo futebol, mas o mais importante é que precisamos aprender a vencer partidas feias", disse o técnico holandês.

Antes de van Marwijk assumir o time, a Holanda jogava um futebol considerado bonito por muitos, porém ineficiente. A equipe recebeu elogios pelo que apresentou na Eurocopa de 2008, porém acabou eliminada pela Rússia.

Dunga também não tem dado bola para as críticas sobre o estilo da seleção. Nesta quinta-feira, antes do jogo contra a Holanda, o brasileiro respondeu às declarações do ex-jogador holandês, Johan Cruyff, que disse que não pagaria para ver os jogos atuais do Brasil, já que a equipe é comum demais.

"Ele deve ter ingresso de graça garantido pela Fifa, por isso não paga", disse Dunga.

Futebol arte

O dilema entre jogar um futebol bonito ou apenas de resultados divide os jogadores.

Ao chegar à África do Sul, o goleiro Júlio César disse que preferia sempre ganhar jogando feio a perder jogando bonito. Ele disse também que o futebol arte como se jogava antigamente "não existe mais".

Image caption Kaka disse que jogar bonito também é importante

O goleiro recebeu o endosso de outros jogadores como o lateral Maicon e o atacante Grafite.

Kaká e Robinho, no entanto, disseram que jogar um futebol bonito também é importante. Kaká lembrou a última vitória brasileira contra a Argentina, por 3 a 1 em setembro do ano passado. Já Robinho fez a ressalva de que nem sempre é possível vencer com dribles bonitos, mas que o Brasil não pode perder esta característica.

Na Holanda, o atacante Robin Van Persie, que joga no Arsenal da Inglaterra, também defendeu o futebol arte.

"A torcida é muito crítica, mas eu não me importo, porque o que eles pedem é o mesmo que nós queremos. A nossa meta é a mesma do meu clube - nós queremos sempre vencer, mas fazendo isso com qualidade", disse o jogador.

Jogo

Apesar de ignorar as críticas sobre o futebol de eficiência da seleção brasileira, o técnico Dunga prevê um grande confronto contra os holandeses nesta sexta-feira.

"As partidas [da Copa] estão cada vez mais difíceis, emocionantes e de melhor qualidade técnica. Quem vier ao estádio vai ver um bom espetáculo", disse Dunga nesta quinta-feira.

O brasileiro deve escalar um time levemente mais defensivo do que o visto na segunda-feira contra o Chile. O volante Felipe Melo, que ainda se recupera de lesão, deve voltar ao meio de campo no lugar de Ramires, que trouxe mais velocidade à seleção mas está suspenso por tomar o segundo cartão amarelo.

Elano, que se machucou contra a Costa do Marfim e pode ficar de fora do resto da Copa, deve ser substituído por Daniel Alves. Dunga disse que só confirmará a seleção poucos minutos antes da partida.

O Brasil deve jogar com: Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan, Michel Bastos, Felipe Melo (ou Josué), Gilberto Silva, Kaká, Daniel Alves, Robinho e Luís Fabiano.

Bert van Marwijk confirma que seu time não pretende jogar na defensiva contra o Brasil.

"É importante jogar o nosso jogo contra o Brasil, e não entrar no jogo deles. Vejam a Costa do Marfim. Jogaram na defensiva e perderam. Não é assim que se joga", disse o holandês. "Nós não temos medo deles."

A Holanda deve jogar com: Stekelenburg, Van der Wiel, Heitinga, Mathijsen, Van Bronckhorst, Van Bommel, De Jong, Sneijder, Kuyt, Robben e Van Persie. A arbitragem é do japonês Yuichi Nishimura.

As duas equipes jogam às 16h (11h no horário de Brasília) no estádio Nelson Mandela, em Port Elizabeth. O vencedor enfrentará na próxima semana o ganhador de Gana e Uruguai na Cidade do Cabo, em uma das semifinais da Copa.

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