Naomi Campbell é intimada em julgamento de ex-líder da Libéria

Naomi Campbell (arquivo)
Image caption Naomi Campbell já se recusou antes a testemunhar no caso

A modelo britânica Naomi Campbell foi intimada nesta quinta-feira a prestar depoimento no julgamento do ex-presidente da Libéria Charles Taylor em um tribunal em Haia, na Holanda.

Taylor é acusado de vender diamantes para financiar rebeldes de Serra Leoa, famosos por amputar mãos e pés de civis durante a brutal guerra civil do país (1991-2001).

Em janeiro, o tribunal especial da ONU para crimes de guerra em Serra Leoa, que realiza suas sessões em Haia, ouviu alegações de que Taylor teria presenteado Naomi com um "grande diamante" após um jantar na casa do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, há 13 anos.

A modelo já recusou sistematicamente pedidos de depor no tribunal.

Atriz e agente

Na quarta-feira, o tribunal também concordou com outro pedido da promotoria, para convocar a ex-agente de Naomi, Carole White, e também a atriz americana Mia Farrow para depoimentos.

Image caption Charles Taylor rejeita acusações de crimes de guerra

Carole White afirma que ouviu Charles Taylor falando que iria dar a Naomi alguns diamantes e estava presente quando a modelo recebeu os presentes.

Farrow também participou do jantar na casa de Nelson Mandela em 1997 e disse que Naomi contou a ela a respeito do presente, na manhã seguinte.

A modelo teria dito a Farrow que tinha recebido a visita de assistentes de Taylor durante a noite e que eles tinham dado a ela um "enorme" diamante bruto.

Os promotores alegam que tentaram entrar em contato com Naomi Campbell várias vezes desde junho de 2009, quando ficaram sabendo do presente, mas não conseguiram.

Os promotores citaram declarações públicas nas quais a modelo afirmou que "não quer se envolver" com o caso de Taylor.

Mas, para a promotoria, o depoimento de Naomi iria apoiar a alegação da acusação de que Charles Taylor mentiu ao afirmar que nunca possuiu diamantes brutos.

Taylor, em julgamento desde janeiro de 2008, rejeitou as alegações, classificando-as de "totalmente sem sentido".

Ele se declarou inocente de 11 acusações de crime de guerra e crimes contra a humanidade supostamente cometidos durante a guerra civil em Serra Leoa.

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