Ex-chefe de polícia sul-africano é condenado por corrupção

Jackie Selebi
Image caption Jackie Selebi foi o primeiro chefe de polícia negro da África do Sul.

Um tribunal sul-africano declarou nesta sexta-feira o ex-chefe de polícia do país, Jackie Selebi, culpado de corrupção.

Selebi, que também foi presidente da Interpol, a polícia internacional, foi acusado de ter ligações com o crime organizado e de aceitar subornos no valor de 1,2 milhão de rand (cerca de R$ 280 mil).

Mas o tribunal o absolveu da acusação de obstruir o curso da Justiça.

Ele negou todas as acusações.

Selebi, que foi o primeiro chefe de polícia negro da África do Sul, era um aliado próximo do ex-presidente Thabo Mbeki, ferrenho rival do atual líder, Jacob Zuma.

O ex-chefe de polícia foi uma indicação de base política e não tinha experiência prévia em polícia quando assumiu o cargo em 2000.

Correspondentes dizem que o caso, que durou nove meses, está sendo visto como um dos julgamentos mais importantes da África do Sul pós-Apartheid.

Selebi poderá ser sentenciado a pelo menos 15 anos de prisão, mas deverá apelar.

‘Conspiração’

No centro das acusações estava a relação de Selebi com o traficante de drogas Glen Agliotti, que está preso. Agliotti também é acusado de assassinar um importante magnata da mineração.

Os procuradores alegaram que Agliotti pagou propinas e deu presentes a Selebi, que em troca teria ignorado os crimes do traficante.

Os advogados de defesa do ex-chefe de polícia disseram que seu cliente foi vítima de um processo malicioso.

Eles disseram que o caso é parte de uma ampla conspiração.

Mas ao anunciar o veredicto, o juiz Meyer Joffe descartou o argumento.

“Considerando a baixa qualidade das evidências do acusado, a negação do acusado de que recebeu pagamento não é razoavelmente e possivelmente verdadeira”, disse.

Ele renunciou como presidente da Interpol em 2008, depois que promotores públicos confirmaram acusações contra ele. Selebi também foi suspenso do cargo de chefe de polícia por causa do caso.

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