Congo enterra vítimas de explosão em valas comuns

Corpos das vítimas da explosão em Sange (foto: AFP)
Image caption Corpos das vítimas da explosão em Sange (foto: AFP)

Os corpos de parte das mais de 200 pessoas que morreram na explosão de um caminhão tanque que transportava gasolina na República Democrática do Congo, foram enterrados neste sábado em valas comuns.

De acordo com a agência de notícias Associated Press, enquanto o dia avançava, equipes da Cruz Vermelha carregavam corpos embalados em sacos plásticos para duas valas comuns do lado de fora do vilarejo onde ocorreu a explosão.

Madnodje Mounoubai, porta-voz da missão de paz da ONU na região, afirmou que o número de mortos já chega a 230 e os feridos são 196.

O caminhão, que vinha da Tanzânia, virou no vilarejo de Sange, cerca de 70 quilômetros ao sul da capital da província de Kivu do Sul, Bukavu, perto da fronteira leste do país.

A gasolina vazou do tanque depois do acidente, pegando fogo e provocando uma explosão, na noite de sexta-feira.

Entre os mortos, estão pessoas que tentavam pegar o combustível que tinha vazado do caminhão. Outros ficaram presos dentro das casas, incluindo um cinema, devido ao incêndio.

As tropas de paz da ONU ajudaram a levar dezenas de feridos para hospitais em cidades vizinhas. Soldados congoleses também foram enviados a Sange para ajudar os feridos.

'Alertas ignorados'

Jean-Claude Kibala, vice-governador de Kivu do Sul, a situação no vilarejo é "terrível".

"Há muitos corpos nas ruas. A população está em choque, ninguém chora ou fala", disse.

Um morador do vilarejo, Bedide Mwasha, afirmou que cinco soldados paquistaneses das Tropas de Paz da ONU pediam às pessoas que deixassem a área no momento do acidente, "mas as pessoas se recusaram a ir embora".

"Homens, mulheres, crianças, até soldados (do governo) estavam roubando gasolina", disse.

Várias casas com telhados feitos de barro e capim seco foram tomadas pelas chamas depois da explosão, assim como um cinema onde muitas pessoas estavam reunidas assistindo aos jogos da Copa do Mundo da África do Sul.

A representante especial interina da ONU no país, Leila Zerrougui, afirmou que a organização vai fazer "tudo o possível para ajudar as autoridades e prestar assistência às vítimas".

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