Dissidente cubano em greve de fome corre risco de morte, dizem médicos

Guillermo Farinas
Image caption Farinas iniciou greve de fome depois da morte de Orlando Zapata Tamayo

O dissidente político cubano Guillermo Farinas, que está em greve de fome, corre o risco de morrer, de acordo com médicos que estão tratando do dissidente.

Farinas, de 48 anos, se recusa a ingerir comida desde de fevereiro e exige a libertação de prisioneiros políticos de Cuba.

Ele está recebendo alimentação intravenosa em um hospital, mas os médicos afirmam que ele desenvolveu um coágulo sanguíneo que pode matá-lo.

A notícia do estado de saúde de Farinas foi dada pela imprensa estatal de Cuba, que geralmente ignora protestos de dissidentes.

O jornal do Partido Comunista cubano, o Granma, publicou neste sábado uma entrevista com o médico que lidera a equipe que está cuidando do dissidente, Armando Caballero.

O médico afirmou que, desde que foi internado no dia 11 de março, Farinas até ganhou peso devido à alimentação intravenosa. O dissidente foi internado depois que desmaiou em sua casa.

Mas, de acordo com Caballero, um coágulo se formou no pescoço de Farinas na semana passada e pode interromper o fluxo de sangue para seu coração.

"Hoje o paciente tem um potencial perigoso de morte, pois depende daquele coágulo", afirmou.

O médico acrescentou que Farinas também está sofrendo de uma infecção que pode tornar impossível a alimentação intravenosa. Mas, o médico disse que não vai partir para a alimentação forçada do paciente, pois isto é contra a ética médica.

De acordo com o correspondente da BBC em Havana, Michael Voss, o artigo publicado no Granma parece ter como objetivo diminuir a crítica internacional, caso Farinas morra.

'Pronto para morrer'

Farinas é um psicólogo que trabalha como jornalista freelancer, informando sobre Cuba e desafiando o controle estatal à imprensa do país.

Ele começou a recusar alimentação e água em fevereiro, depois que outro dissidente, Orlando Zapata Tamayo, morreu enquanto fazia greve de fome na prisão. Com seu protesto, Farinas exige a libertação de 28 presos políticos que estão doentes.

"Ele prefere morrer do que desistir da greve", disse a mãe de Farinas, Alicia Hernandez, à agência de notícias Reuters.

"O objetivo fundamental é muito claro: libertar os prisioneiros que estão mais doentes, de outra forma, ele vai até as últimas consequências."

O governo de Cuba já falou que não vai ser "chantageado" por Farinas e disse que, se ele morrer, será culpa do próprio dissidente.

As autoridades cubanas negam a existência de prisioneiros políticos na ilha, afirmando que os dissidentes presos são criminosos comuns ou "mercenários" que trabalham para os Estados Unidos.

Mas, recentemente, o governo cubano fez pequenas concessões depois de negociações com a Igreja Católica do país, transferindo alguns prisioneiros para prisões mais perto de suas casas.

Uma comissão de direitos humanos não oficial de Cuba afirma que existem cerca de 180 prisioneiros políticos no país.

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