Grã-Bretanha investigará acusações de tortura contra agentes britânicos

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, durante discurso nesta terça-feira (PA/6 de julho)
Image caption Cameron prometeu indenizações se abusos forem comprovados

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, anunciou nesta terça-feira a abertura de uma investigação independente sobre acusações de que agentes britânicos teriam sido cúmplices de casos de tortura contra suspeitos de terrorismo presos em outros países após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Durante um discurso no Parlamento britânico, Cameron afirmou que as investigações sobre os supostos abusos são necessárias para restaurar o que chamou de “liderança moral” da Grã-Bretanha sobre a comunidade internacional.

“Nos últimos anos, a reputação de nossos serviços de segurança foi ofuscada por acusações sobre seu envolvimento no tratamento de prisioneiros mantidos por outros países. Alguns destes detentos alegam ter sofrido maus-tratos nestes países.”

“Embora não existam provas de que nenhuma autoridade britânica esteve diretamente envolvida em tortura após o 11 de setembro, há questionamentos sobre o grau em que autoridades britânicas trabalharam com serviços de segurança estrangeiros que estavam tratando prisioneiros de maneiras que não deveriam”, disse Cameron.

O primeiro-ministro britânico prometeu também que, ser for provado que forças de segurança estrangeiras cometeram abusos com a conivência de autoridades britânicas, as vítimas poderão ser indenizadas.

Os partidos Conservador, de Cameron, e Liberal Democrata, de seu vice, Nick Clegg, há tempos pediam investigações sobre as alegações de Binyam Mohamed, um etíope que reside na Grã-Bretanha que acusa os serviços de segurança britânicos de saberem de supostos abusos cometidos contra ele por agentes estrangeiros.

Investigações

Cameron anunciou que a comissão responsável por investigar as alegações será “completamente independente” e comandada pelo juiz aposentado Peter Gibson.

Segundo o premiê, julgamentos e investigações de outros casos civis e criminais relacionados às alegações terão que ser finalizados antes que o inquérito em si tenha início. Ele disse esperar que a comissão comece seus trabalhos antes do final de 2010 e apresente suas conclusões no prazo de um ano.

A comissão – que será formada por três pessoas – deve ter acesso à documentação relevante relacionada aos casos e alguns de seus procedimentos devem ser públicos.

“Algumas das audiências devem ser públicas. Entretanto, nós devemos ser realistas. Investigações sobre nossos serviços de inteligência não são como as outras. Há algumas informações que devem permanecer secretas”, disse o premiê.

Também nesta terça-feira, o governo britânico publicou novas regras que devem ser seguida por membros dos serviços militares e de inteligência ao tratar de suspeitos detidos por outros países.

A líder do oposicionista Partido Trabalhista, Harriet Harman, afirmou apoiar as investigações e disse que casos de tortura são “graves crimes contra a humanidade”.

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