Governo da Tailândia estende estado de emergência

Tailândia
Image caption Estado de emergência foi imposto há três meses

O governo da Tailândia estendeu o estado de emergência em 19 províncias – inclusive a capital, Bangcoc – temendo um retorno à violência.

O estado de emergência foi revogado em outras cinco províncias, três meses depois de ter sido imposto. Ao todo, há 76 províncias na Tailândia.

A medida foi adotada durante os protestos contra o governo no início do ano, nos quais 90 pessoas morreram.

O primeiro-ministro do país, Abhisit Vejjajiva, disse à BBC na segunda-feira que a medida seria revogada gradualmente.

Segundo as regras do estado de emergência, são proibidas reuniões públicas de grupos de mais de cinco pessoas e as forças de segurança estão autorizadas a deter suspeitos por até 30 dias sem qualquer acusação.

Mais de 400 pessoas já foram presas no país desde a imposição da lei.

Organizações de defesa dos direitos humanos e centros de estudos de política internacional pediram a suspensão da lei, afirmando que ela estava empurrando a oposição para a clandestinidade.

‘Frustração legítima’

O correspondente da BBC em Bangcoc Alastair Leithead disse que a situação no país parecia ter se normalizado depois que o Exército pôs um fim aos protestos e à tomada de dependências do governo por manifestantes.

Mas o governo afirmou que ainda teme instabilidades, já que armas roubadas de depósitos das forças de segurança durante uma ação em abril ainda não foram recuperadas.

“Fomos informados de que ainda há gente que continua tentando espalhar informações falsas, incitar o ódio e instigar a revolta”, disse Ongart Klampaiboon, ministro do gabinete, depois de anunciada a extensão do estado de emergência.

O Centro de Resolução de Situações de Emergência (Cres, na sigla em inglês), recomendou que o estado de emergência seja estendido nas províncias afetadas, principalmente no norte e nordeste do país.

O Cres é formado por representantes das Forças Armadas, Polícia e ministérios do governo; os papeis chave são ocupados por oficiais militares.

O grupo foi criado para administrar a resposta do governo aos protestos dos chamados camisas-vermelhas, em abril e maio deste ano.

Os protestos foram dispersados pelos militares depois de violentos choques que causaram a morte de 90 pessoas e deixaram mais de 2.000 feridos.

O premiê Abhisit disse que está iniciando o que chamou de processo de reconciliação.

A ONG Grupo de Crise Internacional advertiu que as “frustrações legítimas” do movimento de oposição ao governo estão forçando-o “à clandestinidade e possivelmente a ações ilegais e violentas”.

O grupo pediu a libertação de todos os detidos e o fim da proibição dos meios jornalísticos da oposição.

Um integrante do movimento dos camisas-vermelhas, da oposição, que atualmente está escondido na Tailândia, advertiu que um grupo clandestino estaria realizando treinamentos para a fabricação de bombas.

Leia mais: Entenda os protestos e a crise política na Tailândia

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