Exumação de mafioso em Basílica pode desvendar mistério de 30 anos

Vaticano (arquivo)
Image caption Enrico de Pedis foi assassinado em Roma em 1990

O Vaticano autorizou a Justiça italiana a vasculhar o túmulo de um ex-chefão da máfia italiana para buscar provas de seu envolvimento com o sequestro de uma jovem em 1983.

Enrico de Pedis, último líder da chamada Banda de Magliana – organização mafiosa que atuava em Roma na década de 80 – foi assassinado no centro de Roma em 1990. Seu corpo foi sepultado na cripta da basílica de Santo Apolinário, na capital italiana, ao lado de papas e nobres.

Os responsáveis pela basílica dizem que o fato de De Pedis estar sepultado no local se justifica porque ele foi um benfeitor da Igreja.

No entanto, segundo investigadores italianos, em junho de 1983 De Pedis teria sequestrado Emanuela Orlandi, filha de um funcionário da Santa Sé.

A jovem foi sequestrada no centro da capital italiana aos 15 anos idade, depois de ter ido ao curso de música na Basílica de Santo Apolinário, e nunca mais foi vista.

Caso reaberto

Em 2005 os investigadores reabriram o caso Orlandi, após novas revelações de testemunhas e informações obtidas por meio de gravações telefônicas do motorista de Enrico de Pedis.

As novas informações indicariam que o mafioso foi o mandante do sequestro.

A imprensa italiana chegou a sugerir que o próprio corpo da jovem poderia estar enterrado na cripta de De Pedis, embora as autoridades não confirmem essa possibilidade.

Os investigadores haviam pedido autorização para fazer uma inspeção no túmulo em 2005, mas na ocasião o Vaticano não autorizou.

A verificação ainda não tem data marcada, mas deve ser feita após novos interrogatórios, marcados para este mês.

De acordo com a família de De Pedis, ele não teve envolvimento com o sequestro e desaparecimento de Emanuela Orlandi. Eles pedem que a inspeção seja feita logo para esclarecer o caso.

"Se devem fazer esta inspeção, que a façam e acabem com os boatos. A família sempre esteve disponível para abrir a sepultura", disseram os advogados da família ao jornal Corriere della Sera.

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