Alemanha aprova cortes de 80 bilhões de euros em quatro anos

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble
Image caption Novo Orçamento alemão prevê cortes de 3,8% nos gastos do governo

O gabinete alemão aprovou nesta quarta-feira um plano de cortes de gastos de 80 bilhões de euros (cerca de R$ 178 bilhões) nos próximos quatro anos para conter o déficit público do país.

Os ministros aprovaram o Orçamento do próximo ano, incluindo cortes de 3,8% em relação ao Orçamento deste ano.

Uma série de medidas com o objetivo de aumentar a arrecadação do governo, a serem implementadas nos próximos quatro anos, também foi aprovada.

Segundo o ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, as medidas devem garantir que o déficit público alemão seja contido em no máximo 3% do PIB até 2013.

As medidas refletem uma mudança na Constituição da Alemanha que obriga o governo a reduzir seu nível de endividamento.

Estabilidade

Segundo a chanceler alemã, Angela Merkel, os cortes ajudarão o país a reduzir seu déficit e a conquistar uma maior estabilidade financeira.

Especialistas discutem, porém, se este é o momento certo para a Alemanha adotar os cortes de gastos, por conta das preocupações sobre o impacto negativo que isso poderia ter sobre a recuperação econômica após a crise global.

A alta do déficit público na Alemanha não é vista como problemática pelos mercados financeiros.

Além disso, o país tem um grande superávit em sua balança comercial, e vem sendo pressionado, ao lado de outros países com superávit na balança, a fazer mais para desenvolver seu mercado consumidor interno e ajudar na recuperação de outros países.

Esse argumento vem sendo usado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pelos Estados Unidos, entre outros, mas os cortes de gastos do governo podem prejudicar o desenvolvimento do mercado interno alemão.

Outros economistas, porém, argumentam que os esforços para melhorar a situação financeira do governo poderiam ajudar a economia global ao aumentar a confiança do consumidor e promover os negócios.

Bônus limitados

Em outra decisão envolvendo a economia europeia nesta quarta-feira, o Parlamento Europeu aprovou um acordo para estabelecer novos limites ao pagamento de bônus para executivos de bancos a partir do próximo ano.

De acordo com a proposta, que havia sido negociada pelos membros da União Europeia no mês passado, os banqueiros deverão receber apenas 30% dos seus bônus imediatamente e em dinheiro. Para os bônus maiores, esse limite é de 20%.

O pagamento do restante ficará em suspenso e será condicionado ao desempenho de longo prazo.

Fundos de hedge também estarão sujeitos às novas regras, mas não haverá um limite sobre o montante dos bônus.

Os altos bônus pagos aos banqueiros têm sido alvo de ataques pela opinião pública europeia desde o início da crise global, em 2008, que levou ao resgate de vários bancos em dificuldades com dinheiro público.

Alguns críticos dizem que a cultura de altos bônus incentivou banqueiros a promover operações de alto risco, que por sua vez teriam levado à crise financeira global.

Sob as novas normas, uma grande parcela dos bônus deverá ser paga em papéis de dívida que podem ser transformados em ações do banco em caso de dificuldades financeiras da instituição.

Como resultado, segundo os defensores da medida, os bônus estarão muito mais ligados à saúde financeira e ao resultado verdadeiro dos bancos.