Ex-líder panamenho Noriega pega sete anos de prisão na França

Representação artística de Noriega na Justiça francesa
Image caption Noriega foi um aliado dos Estados Unidos na década de 1980

A Justiça da França condenou nesta quarta-feira o ex-líder militar do Panamá Manuel Noriega a sete anos de prisão por lavagem de dinheiro do narcotráfico colombiano.

Noriega nega ter lavado, no final da década de 1980, cerca de US$ 2,8 milhões provenientes do cartel de Medellín, na época uma poderosa rede colombiana de tráfico de drogas.

O juiz francês também ordenou a apreensão de 2,3 milhões de euros (mais de R$ 5 milhões) dos bens de Noriega.

Um tribunal francês havia condenado o ex-homem-forte do Panamá em 1999, época em que estava preso nos Estados Unidos por tráfico de drogas. A França concordou em realizar um novo julgamento se ele fosse extraditado do país.

A extradição ocorreu em abril deste ano. O ex-líder panamenho esteve detido em prisões americanas desde 1990.

O ex-general foi acusado de usar bancos franceses para ocultar os lucros do tráfico de drogas colombiano.

Plano político

A defesa do ex-general afirma que as acusações faziam parte de um plano político global contra Noriega e que a sentença foi severa demais.

Yves Leberquier, um dos advogados de defesa, afirmou que Noriega estava "abatido e surpreso com esta decisão, que ele não compreende".

A promotoria acusou Noriega de lavar 2,3 milhões de euros do cartel de Medellín na década de 80 usando o já extinto Banco de Crédito e Comércio Internacional da França.

O dinheiro teria sido usado por sua esposa, Felicidad, e por uma empresa para a compra em Paris de três apartamentos de luxo. Os imóveis foram confiscados pela Justiça francesa.

Falando em sua defesa na semana passada, Noriega afirmou que as acusações de lavagem de dinheiro eram um "esquema bancário imaginário".

O advogado Yves Leberquier afirmou que uma longa sentença na prisão seria o mesmo que prisão perpétua para Noriega, que está com 76 anos e sofre de paralisia parcial e pressão alta.

Críticas

A extradição para a França foi criticada por muitos no Panamá que desejam julgar Noriega por acusações de tortura e assassinato de opositores.

Então chefe das Forças Armadas, Noriega na prática comandou o Panamá de 1983 a 1989, embora nunca tenha sido presidente do país.

Primeiramente considerado um dos maiores aliados americanos na América Latina, ele foi apoiado por Washington até 1987, mas no ano seguinte foi acusado de trafico de drogas.

Tropas americanas invadiram o Panamá em dezembro de 1989 após a morte de um fuzileiro dos Estados Unidos e prenderam Noriega no mês seguinte.

Condenado, cumpriu sentença de 17 anos de prisão na Flórida até 2007, mas depois permaneceu detido em território americano aguardando a extradição para a França até este ano.

Notícias relacionadas