Dissidente cubano encerra greve de fome após mais de 130 dias

Guillermo Fariñas (arquivo)
Image caption Casos como o de Fariñas tiveram grande repercussão internacional

O dissidente político cubano Guillermo Fariñas encerrou nesta quinta-feira uma greve de fome de mais de 130 dias depois de o governo de Cuba ter anunciado a libertação de presos políticos.

No último domingo, os médicos que tratavam do dissidente durante a greve de fome anunciaram que ele corria risco de morrer.

Mas, na quarta-feira, as autoridades cubanas concordaram em libertar 52 presos políticos, que deverão ir para o exílio na Espanha, a maior liberação em massa de dissidentes em décadas.

O governo de Cuba estava sendo pressionado a libertar os dissidentes desde que outro prisioneiro em greve de fome, Orlando Zapata Tamayo, morreu em fevereiro. Depois da morte de Tamayo, Fariñas iniciou sua greve de fome.

Alimentação intravenosa

Segundo o correspondente da BBC em Havana, Michael Voss, Guillermo Fariñas estava recebendo alimentação intravenosa em um hospital na cidade de Santa Clara desde março.

O dissidente de 48 anos se recusava a ingerir comida ou água em uma campanha para libertar 28 presos políticos que estão doentes.

De acordo com Voss, inicialmente Fariñas se recusou a acreditar que o governo de Cuba havia atendido suas exigências com o anúncio da libertação dos 52 prisioneiros políticos.

Mas, na manhã desta quinta-feira, um grupo de dissidentes viajou até Santa Clara para confirmar a notícia. Mais tarde, uma dos integrantes do grupo, Gisela Delgado, saiu do hospital para confirmar que "a partir deste momento, ele (Fariñas) suspendeu a greve de fome".

Reação

Há menos de uma semana, em uma ação surpreendente, o jornal oficial cubano Granma publicou uma longa entrevista com o médico que cuida de Fariñas, Armando Caballero, na qual ele afirmava que seu paciente teria um coágulo sanguíneo no pescoço, que poderia interromper o fluxo de sangue ao coração, além de ter contraído uma infecção.

Esta entrevista pode ter acrescentado um senso de urgência à decisão do governo de Cuba de prosseguir com a libertação dos 52 prisioneiros políticos.

O governo de Cuba, no entanto, alega que os detidos não são prisioneiros políticos, mas mercenários a serviço dos Estados Unidos.

Depois do anúncio da libertação, na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, pediu que a União Europeia relaxe a sua chamada Política Comum em relação a Cuba, imposta em 1996 e que pede avanços em questões de direitos humanos e democracia antes da normalização das relações com o país.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, descreveu a libertação dos prisioneiros políticos como "algo que já devia ter ocorrido há tempos, mas mesmo assim, (uma decisão) muito bem-vinda".

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