Sobe para mais de 100 número de mortos em ataque suicida duplo no Paquistão

Paquistão
Image caption Explosões destruíram prédios, casas e lojas

A polícia no Paquistão decretou estado de alerta no país após o duplo atentado suicida que matou pelo menos 42 pessoas em um templo muçulmano em Lahore, no leste do país, nesta quinta-feira.

Milhares de pessoas estavam no local na hora do ataque, o primeiro contra um templo sufi na cidade. Outras 175 ficaram feridas no atentado.

A segurança foi reforçada em Lahore e em outras mesquitas sufi espalhadas pelo país.

Manifestantes realizaram protestos em frente ao templo, revoltados com o que classificam de medidas de segurança frouxas. Mais protestos estão previstos para ocorrer após as tradicionais orações de sexta-feira.

No local ficam os restos do santo sufi persa Abul Hassan Ali Hajvery, e o templo é visitado por centenas de milhares de muçulmanos sunitas e xiitas todos os anos. O sufismo é uma corrente mística do Islã. Diferentemente de outros muçulmanos, seus seguidores procuram uma ligação direta com Alá por meio, por exemplo, de cânticos ou danças.

A polícia afirmou que houve pelo menos duas explosões. Inicialmente falou-se em três.

O impacto das explosões destruiu o pátio interno do templo. Era possível ver equipes de resgate subindo sobre os destroços enquanto retiravam as vítimas do local.

Destruição

O comissário da polícia de Lahore Khusro Pervez afirmou que um dos ataques ocorreu no pátio principal, e outro no subsolo do templo.

O primeiro ataque atingiu o subsolo, onde os visitantes dormem e se preparam para as rezas. Enquanto as pessoas fugiam, outra bomba explodiu no andar térreo.

Um guarda do templo, Mohammed Nasir, descreveu as cenas de destruição.

"Foi uma cena horrível. Havia corpos sangrando por todos os lados e pessoas chorando", disse ele.

Este foi o maior atentado contra um templo sufi no Paquistão desde que começaram os ataques militantes no país, em 2001.

Apesar de nenhum grupo ter assumido a autoria até agora, os militantes do Talebã e seus aliados jihadistas de Punjab estiveram envolvidos em vários atentados como esse na província de Khyber Pakhtoonkhwa, norte do Paquistão.

O templo é frequentado, em sua maioria, por integrantes da seita Barelvi, vista como herética pelo Talebã.

A maioria dos membros do Talebã pertence à seita sunita Deobandi, que desaprova veementemente a adoração em templos e rejeita a modernidade.

Muitos também são aliados do grupo Sipa-e-Sahaba, banido como organização terrorista pelo presidente Pervez Musharraf em 2002, e seu braço armado, Lashkar-e-Jhangvi, que tem por objetivo transformar o Paquistão em um estado sunita deobandi.

Outros atentados

Nos últimos anos, Lahore foi atingida por uma série de ataques, incluindo a explosão em um escritório de combate ao terrorismo em março, no qual 13 pessoas morreram.

Em maio mais de 80 pessoas foram mortas em um ataque duplo contra a minoria ahmadi (membros de um movimento religioso muçulmano) da cidade.

De acordo com o correspondente da BBC em Islamabad Aleem Maqbool, antes do ataque desta quinta-feira, os chefes do setor de segurança estavam celebrando o fato de junho ter sido o primeiro mês em dois anos no qual não ocorreu nenhum ataque suicida no Paquistão.

As autoridades afirmaram que isto era prova de que as redes de militantes tinham sido desmanteladas. Mas, segundo Maqbool, a maioria dos paquistaneses sabe que a batalha contra os militantes no país está longe de ser encerrada.

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