EUA dizem que cientista iraniano é livre para deixar o país

Imagens da TV iraniana
Image caption A TV iraniana mostrou imagens de Shahram Amiri em junho

A secretária de Estado amerciana, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira que o cientista nuclear iraniano Shahram Amiri está nos Estados Unidos por vontade própria e é livre para deixar país e retornar ao Irã.

Na noite de segunda-feira, Amiri pediu refúgio no escritório de representação iraniano que funciona na Embaixada do Paquistão em Washington.

O governo iraniano diz que o cientista foi sequestrado por agentes da CIA (a agência de inteligência americana) no ano passado, em peregrinação à cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita.

Os Estados Unidos negam essas acusações.

"Amiri está nos Estados Unidos por sua própria vontade e ele é livre para partir", disse Clinton.

"Na verdade, ele tinha uma viagem marcada para o Irã ontem (segunda-feira), mas não conseguiu terminar os preparativos necessários para chegar ao país passando por outros países", afirmou a secretária.

Não há voos diretos entre os Estados Unidos e o Irã. Os dois países não mantêm relações diplomáticas.

Vídeos

O caso de Amiri é cercado de informações contraditórias. No mês passado, foram divulgados na internet três vídeos com supostas imagens do cientista, cada um com uma versão diferente sobre sua situação nos Estados Unidos.

Em um dos vídeos, um homem que dizia ser Amiri afirmava ter sido sequestrado por agentes americanos e sauditas. O homem dizia ter sido drogado na Arábia Saudita e acordado já a bordo de um avião rumo a Washington.

Um segundo vídeo mostrava um homem que também alegava ser Amiri e dizia estar estudando no Estado do Arizona, por vontade própria.

O terceiro vídeo trazia a versão de que o homem havia escapado de seus sequestradores.

Programa nuclear

A imprensa iraniana afirma que Amiri trabalhava como pesquisador na Universidade de Teerã.

No entanto, há relatos de que ele trabalharia para a agência iraniana de energia atômica e teria conhecimentos profundos do programa nuclear do Irã.

Em meio a informações conflitantes, a rede de TV americana ABC chegou a dizer que Amiri havia desertado e estaria colaborando com a CIA, fornecendo informações importantes sobre o programa nuclear iraniano.

No início do mês, Teerã disse ter provas de que Amiri estava sendo mantido à força nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos são um dos principais críticos do programa nuclear iraniano e pressionam o país a interromper seu processo de enriquecimento de urânio, sob a alegação de que o governo iraniano possa planejar desenvolver armas nuclerares secretamente.

O governo iraniano nega essas alegações, diz que seu programa nuclear é pacífico e se recusa a interromper o enriquecimento de urânio.

No mês passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma quarta rodada de sanções para pressionar o Irã a interromper seu programa nuclear.

Americanos

Em entrevista a jornalistas nesta terça-feira, Hillary Clinton aproveitou o caso para mencionar a situação dos três americanos detidos por Teerã desde o ano passado sob acusação de espionagem, após terem cruzado a fronteira entre o curdistão iraquiano e o Irã.

"Em contraste (com a postura dos Estados Unidos em relação a Amiri), o Irã continua a manter três jovens americanos contra sua vontade", disse a secretária.

"E nós reiteramos nosso pedido de que ele sejam libertados e possam voltar para suas famílias", afirmou.

"Nós também continuamos sem informações sobre o bem-estar e o paradeiro de Robert Levenson, que está desaparecido no Ira desde 2007", disse a secretária, referindo-se ao caso de um ex-agente do FBI (a polícia federal americana).

"Nós continuamos a pedir a cooperação iraniana para resolver essa questão e assegurar seu retorno em segurança aos Estados Unidos", afirmou Hillary.

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