Brasil e União Europeia realizam cúpula em meio a impasse comercial

Lula e Durão Barroso
Image caption Lula e Durão Barroso devem discutir situação política em Honduras

Representantes de Brasil e União Europeia realizam nesta quarta-feira, em Brasília, uma cúpula marcada por acordos de pouca expressão e em meio ao congelamento das discussões comerciais com o Mercosul.

A crise fiscal que atingiu a Grécia e ameaça outros países da região acabou provocando um recuo nas negociações sobre um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul – assunto de grande interesse para o Palácio do Planalto.

Suspensa desde 2004, as conversas sobre um possível acordo voltaram à tona no final do ano passado, quando a União Europeia demonstrou interesse em avançar no tema.

Nas palavras de um diplomata brasileiro, “foram apenas alguns meses de esperança” até que, diante do agravamento da crise, grupos protecionistas europeus voltassem a bloquear um acordo comercial com os quatro países do Mercosul.

“É por esses e outros motivos que a cúpula desta quarta-feira será praticamente esvaziada”, diz o mesmo diplomata.

Ainda sob o impacto da crise financeira internacional, a União Europeia ainda não conseguiu retomar o ritmo de importações registrado antes da turbulência.

No primeiro semestre, as exportações brasileiras para a região somaram US$ 19,2 bilhões, valor ainda abaixo dos US$ 22,1 bilhões do mesmo período em 2008, antes do agravamento da crise.

Produtores agrícolas

Em entrevista a agências internacionais, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, disse não acreditar na possibilidade de retomada das conversas ainda neste ano.

“Vamos trabalhar para isso, mas é difícil”, disse o ministro. Segundo ele, países como França, Polônia e Irlanda estão entre os mais reticentes a uma liberalização comercial que certamente afetará seus produtores agrícolas.

Ainda de acordo com Miguel Jorge, o apoio de Espanha e Itália – dois países mais simpáticos a um acordo com o Mercosul – não deve ser suficiente para superar um ambiente político “desfavorável” no qual se encontra a Europa.

“Os agricultores sempre são muito fortes, especialmente na França. E na crise esse cenário fica pior”, diz o ministro.

No âmbito do Mercosul, o Brasil já tem um acordo assinado com Israel e, segundo Miguel Jorge, “há chances” de um acordo com a Turquia ser firmado ainda este ano.

Agenda

Segundo o Itamaraty, a cúpula será uma oportunidade para a “troca de impressões” entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, em temas regionais e internacionais.

Um deles é a situação política em Honduras, cujo presidente Porfírio Pepe Lobo ainda não foi reconhecido pelo governo brasileiro. Os europeus vêm defendendo que já é tempo de dar um voto de confiança ao presidente eleito em janeiro.

Ainda de acordo com ministério, Brasil e União Europeia deverão assinar acordos de cooperação que facilitará os negócios entre a brasileira Embraer e os países europeus.

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