Outdoor nos EUA coloca Obama, Hitler e Lênin lado a lado

Image caption O anúncio foi criticado por membros do próprio grupo que o financiou

Um outdoor com a imagem do presidente americano, Barack Obama, ao lado de Adolf Hitler e Vladimir Lênin provocou polêmica nos Estados Unidos.

O anúncio, colocado do centro da cidade de Mason City, no Estado de Iowa, foi patrocinado pelo braço local do movimento conservador Tea Party, que se opõe ao governo Obama.

Na manhã desta quarta-feira, depois de muitas manifestações contrárias, inclusive de integrantes do próprio Tea Party - que consideraram o anúncio ofensivo e um desperdício de dinheiro -, o outdoor foi finalmente coberto e substituído por um anúncio de serviços comunitários.

O outdoor trazia a foto de Obama entre a de Hitler e a de Lênin. Sobre cada uma das imagens, respectivamente, estava escrito “Nacional Socialismo”, “Socialismo Democrata” e “Socialismo Marxista”.

Abaixo das três fotos, aparecia a frase “Radical Leaders Prey on the Fearful and Naive” (“Líderes radicais atacam os temerosos e ingênuos”, em tradução livre).

Movimento

Segundo membros do Tea Party que patrocinaram o anúncio, o objetivo era criticar o socialismo e o governo Obama, mas eles admitiram que as imagens acabaram ofuscando a mensagem.

Formado por vários grupos com nomes e doutrinas diversos, mas unidos em sua oposição ao governo Obama, o Tea Party vem ganhando cada vez mais destaque nos Estados Unidos e, segundo analistas, poderá influenciar as eleições legislativas de novembro.

O movimento não tem sede nem liderança central e não está ligado a nenhum partido político.

Seus adeptos se definem como cidadãos comuns contrários ao excesso de regulação e burocracia do governo federal, que acusam de extrapolar seus poderes constitucionais.

Uma das estrelas do movimento é Sarah Palin, ex-governadora do Alasca e ex-candidata à vice-presidência pelo Partido Republicano nas últimas eleições.

'Racismo'

As posições conservadoras do Tea Party, consideradas extremas por muitos de seus críticos, geram debates nos Estados Unidos.

Na terça-feira, membros da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP, “Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor”, em tradução livre), um dos principais grupos de defesa dos direitos civis nos Estados Unidos, aprovaram uma resolução condenando “elementos extremistas dentro do Tea Party”.

Segundo a NAACP, a resolução, que deverá ser oficializada em outubro pela diretoria nacional da associação, pede que as lideranças do Tea Party “repudiem aqueles em seus quadros que usam linguagem racista”.

A entidade diz que não condena o movimento como um todo, mas sim alguns de seus integrantes por supostamente tolerarem o racismo.

A NAACP diz que tomou a decisão após um ano de intensa cobertura da imprensa sobre incidentes relacionados à intolerância envolvendo participantes de protestos organizados pelo Tea Party.

Sarah Palin disse, em sua página no site de relacionamentos Facebook, que lamenta a ação da NAACP.

“Estou entristecida pela alegação da NAACP de que americanos patriotas que defendem os direitos constitucionais dos Estados Unidos sejam de alguma forma ‘racistas’”, escreveu Palin.

“A acusação de que os americanos do Tea Party julgam as pessoas pela cor de sua pele é falsa e espantosa.”

“O único propósito de uma acusação tão injusta de racismo é dissuadir os bons americanos de se unirem ao movimento Tea Party”, afirmou.

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