França prende quatro no caso envolvendo herdeira da L’Oréal

Lilianne Bettencourt
Image caption Fotógrafo é acusado de abusar da fragilidade da octogenária

O fotógrafo François-Marie Banier, acusado de extorquir 1 bilhão de euros em presentes da herdeira da L’Oréal, Liliane Bettencourt, e mais três pessoas envolvidas no caso que se transformou em um grande escândalo político na França tiveram sua prisão temporária decretada nesta quinta-feira, segundo o jornal Le Monde.

As outras três pessoas detidas para interrogatório policial são Patrice de Maistre, gestor da fortuna da bilionária, o ex-advogado tributarista da herdeira da L’Oréal, Fabrice Goguel, e Carlos Vejarano, administrador da ilha de Arros, no arquipélago de Seicheles, no Oceano Índico.

A propriedade da ilha, que valeria centenas de milhões de euros, não teria sido declarada por Bettencourt ao Fisco francês.

Os quatro estão sendo interrogados pela polícia desde a manhã desta quinta-feira, segundo o Le Monde. O prazo máximo da prisão temporária na França é de 48 horas.

Sarkozy

Agentes interrogam os quatro envolvidos sobre as supostas manobras de evasão fiscal praticadas pela principal acionista da L’Oréal e também sobre o eventual conflito de interesses do ministro do Trabalho, Eric Woerth, também tesoureiro do partido do governo, UMP.

Woerth, que anunciou na terça-feira que deixará o cargo de tesoureiro do UMP no final deste mês, teria recebido doações ilegais da L’Oréal para campanhas políticas, inclusive a do presidente Nicolas Sarkozy, em 2007.

Essas suspeitas surgiram após a revelação de gravações clandestinas realizadas pelo ex-mordomo da herdeira entre maio de 2009 e maio deste ano.

Nas conversas, o gestor da fortuna de Bettencourt menciona contas bancárias na Suíça que totalizariam 78 milhões de euros e que não foram declaradas ao Fisco francês.

Maistre teria tentado, com a ajuda do advogado tributarista, transferir essas contas para Cingapura.

Política

As gravações clandestinas também sugerem que Bettencourt poderia ter doado a ilha no arquipélago de Seicheles para o fotógrafo François-Marie Banier.

Ele é acusado pela filha da herdeira da L’Oréal, Françoise Bettencourt-Meyers, de ter abusado de uma suposta fragilidade psicológica de sua mãe octogenária para obter doações que totalizam quase 1 bilhão de euros (R$ 2,3 bilhões) em propriedades, obras de arte valiosas e dinheiro.

“É um passo importante, porque há meses denunciamos os predadores em volta de Liliane Bettencourt”, afirmou Olivier Metzner, advogado da filha da herdeira, ao comentar as prisões temporárias decretadas nesta quinta-feira.

Os agentes que realizam os interrogatórios das quatro pessoas detidas estão encarregados de três investigações no caso envolvendo Bettencourt e o ministro Woerth.

Segundo o jornal Le Monde, os inquéritos investigam as suspeitas de doações ilegais da família Bettencourt ao partido do governo, além das supostas manobras de evasão fiscal da herdeira e o eventual conflito de interesses envolvendo Woerth, que já foi ministro do Orçamento.

O gestor da fortuna de Bettencourt também está sendo interrogado sobre as alegações da ex-contadora da herdeira, Claire Thibout. Ela afirmou à polícia que Maistre teria dado 150 mil euros ao ministro Woerth para financiar a campanha de Sarkozy às eleições presidenciais.

Inicialmente, o caso dizia respeito apenas a uma disputa familiar entre a herdeira da L’Oréal e sua filha, mas vem sofrendo desdobramentos diários há cerca de um mês e se transformou em escândalo político.

Na quarta-feira, Liliane Bettencourt anunciou que realizará uma “auditoria independente” nas empresas que administram sua fortuna e também na Fundação L’Oréal.

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