ONU declara 'Dia Internacional de Mandela' em aniversário de ex-líder

Mandela comemorou o aniversário com a família em Johanesburgo (foto: AFP)
Image caption Mandela comemorou o aniversário com a família em Johanesburgo (foto: AFP)

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou o dia 18 de julho como o Dia Internacional de Nelson Mandela, marcando o aniversário de 92 anos do ex-presidente sul-africano.

A Assembleia Geral da ONU fez a declaração para comemorar a contribuição de Mandela para a paz e liberdade. Mandela ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1993.

A ONU celebrou o primeiro Dia Internacional de Nelson Mandela com várias atividades, caminhadas, jogos e homenagens em várias partes do mundo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou em um pronunciamento que o ex-líder "personifica os mais altos valores da humanidade e das Nações Unidas".

"Os êxitos de Nelson Mandela vieram com um alto custo para ele e sua família. Hoje, no primeiro Dia Internacional de Nelson Mandela, agradecemos por tudo o que ele fez pela liberdade, justiça e pela democracia", disse.

Líderes

Vários líderes internacionais e africanos homenagearam o ex-líder, entre eles o presidente americano, Barack Obama, que afirmou que os americanos estão se esforçando para seguir o exemplo de Mandela, de tolerância, compaixão e reconciliação.

"Somos gratos por continuar abençoados com sua visão extraordinária, liderança e espírito", afirmou Obama em Washington.

Neste domingo, os sul-africanos também dedicaram 67 minutos de seu dia para trabalhos de caridade, como uma homenagem aos 67 anos em que Mandela serviu à política do país.

Em outros países também foram feitas homenagens semelhantes, em uma iniciativa que também teve o apoio de outros ganhadores do prêmio Nobel da Paz, como o ex-presidente americano Jimmy Carter e Desmond Tutu.

Para o presidente sul-africano, Jacob Zuma, não é surpreendente que o país e o mundo prestem homenagens a Nelson Mandela.

"Com 67 anos de contribuição ativa para uma África do Sul melhor, ele foi reconhecido pelas Nações Unidas e está sendo celebrado com o Dia de Nelson Mandela pela primeira vez neste ano. Agradecemos ao mundo por nunca esquecer de reconhecer os êxitos desta nação", afirmou em um discurso na cidade onde Mandela nasceu, Mvezo.

O presidente do Malauí, Bingu wa Mutharika, que ocupa a presidência da União Africana, também prestou homenagem ao ex-presidente sul-africano.

"A nação arco-íris da África do Sul nasceu de sua paixão pelo perdão e reconciliação e de um desejo de que todas as pessoas aprendessem a perdoar e aceitar umas às outras, sem se importar com sua origem", acrescentou.

Família

Nelson Mandela passou o dia rodeado de seus netos e família, comemorando seu aniversário calmamente com um bolo em Johanesburgo, com poucos convidados em uma festa pequena.

Sua esposa, a moçambicana Graça Machel, afirmou que ele iria celebrar "de seu próprio jeito, ele vai se ligar também a todas aquelas pessoas que pensam nele, falam dele".

"Ele está muito bem... está saudável e, levando em conta o tipo de vida que ele teve, é muito encorajador. Ele está envelhecendo, ficando frágil, mas está muito saudável, cheio de vida", disse Machel à BBC.

Desde que deixou a Presidência, em 1999, Mandela se transformou em uma espécie de embaixador do país, liderando campanhas contra a Aids e batalhando para que a África do Sul sediasse a Copa do Mundo.

Mas, o ex-líder compareceu apenas ao encerramento da Copa, devido à morte de sua bisneta, Zenani Mandela, em um acidente de carro logo depois da festa de abertura.

Em seu aniversário de 80 anos, Mandela se casou pela terceira vez com a moçambicana Graça Machel. Em 2001, descobriu que tinha câncer de próstata.

Em 2004, Mandela, que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1993, anunciou que se retiraria da vida pública para passar mais tempo com a família e os amigos.

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