Novos vazamentos no Golfo podem não ter relação com poço danificado

Vestígios de petróleo no local do vazamento no Golfo do México (foto: AP)
Image caption Petroleira foi autorizada a seguir com testes em poço danificado

O funcionário do governo dos Estados Unidos que comanda as operações de resposta ao vazamento de petróleo no Golfo do México, almirante Thad Allen, afirmou nesta segunda-feira que novas infiltrações encontradas próximo ao poço danificado, no leito do oceano, podem não estar relacionadas ao vazamento principal, que teve início em 20 de abril.

Segundo Allen, “não há indícios” de que as “anomalias” encontradas na região depois que a petroleira britânica BP instalou um novo dispositivo que aparentemente conseguiu interromper o vazamento, na última quinta-feira, estejam relacionadas à operação de contenção.

“Houve três grandes áreas de anomalias que foram detectadas desde 17 de julho.(...) Nós não acreditamos que elas estejam relacionadas ao teste de integridade do poço”, disse.

Como consequência, o governo dos Estados Unidos autorizou que a BP continue os testes de pressão no dispositivo de contenção por mais 24 horas. A empresa se comprometeu a continuar monitorando a possível aparição de novos vazamentos no solo do oceano.

Com a decisão, o dispositivo que está sobre o poço continuará instalado. Com ele, a BP espera poder interromper o fluxo de óleo sem que novos vazamentos surjam no leito marítimo.

Se estes testes falharem, o poço terá de ser reaberto e petróleo voltará a vazar.

Neste final de semana, a constatação dos novos vazamentos nestas três áreas fez com que o governo americano solicitasse à BP um relatório urgente sobre a possível relação das infiltrações com o dispositivo colocado sobre o poço.

Natural

Cientistas temem que a tampa colocada no poço possa desviar o fluxo do óleo para as rochas ao redor, o que poderia gerar outros vazamentos no longo prazo.

Mas Allen afirmou que os vazamentos detectados até agora podem não ter relação com os testes.

Vazamentos de óleo e gás podem acontecer de maneira natural. O grande fluxo de óleo do poço nos últimos meses pode ter impossibilitado que estas infiltrações naturais fossem detectadas antes.

A BP espera que as válvulas do dispositivo que atualmente está sobre o poço possam continuar fechadas até que uma operação para interromper completamente o vazamento possa ser feita, o que a empresa espera que ocorra em menos de duas semanas.

O almirante, no entanto, afirmou que não há garantias de que isso possa acontecer.

“Eu não estou preparado para dizer que o poço (danificado) permanecerá fechado até que o poço auxiliar (para controlar o vazamento) seja construído. Há muitas incertezas”, disse.

O governo americano pediu que a BP esteja pronta para remover o dispositivo imediatamente caso novos vazamentos sejam confirmados.

Leia também na BBC Brasil: EUA pressionam BP ante suspeita de novo vazamento no Golfo do México

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