Israel promete limitar fósforo branco em guerras futuras

Fósforo branco
Image caption Israel disse que vai limitar uso de fósforo branco em guerras futuras

Em relatório apresentado ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o governo de Israel se compromete a limitar a utilização de armamentos com fósforo branco em "guerras futuras".

No documento, encaminhado às Nações Unidas, o governo israelense também se compromete a “evitar ferimento de civis e danos a propriedades civis nos próximos confrontos”.

O documento responde a um relatório que acusou Israel de ter cometido crimes de guerra durante a ofensiva à Faixa de Gaza, em dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

O documento atual é o segundo que Israel apresenta à ONU, depois de realizar investigações internas sobre possíveis falhas cometidas durante a ofensiva à Faixa de Gaza.

Atuação ilegal

No primeiro documento, encaminhado a Ban Ki-moon em janeiro deste ano, o governo mencionou 36 investigações iniciadas dentro do Exército por suspeitas de “atuação inadequada por parte de militares”.

Uma das investigações resultou no indiciamento de um oficial pela morte de civis durante a operação.

Cerca de 1,4 mil palestinos foram mortos durante a ofensiva israelense à Faixa de Gaza. Do lado israelense o número de vitimas foi de 13, entre elas três civis.

Neste segundo relatório o número de investigações mencionado sobe para 47, 11 a mais do que no relatório anterior.

O documento se refere a suspeitas de atuação ilegal por parte de soldados e oficiais, principalmente relacionadas à utilização de fósforo branco contra civis e ao comportamento das tropas durante o combate em zonas residenciais.

O fósforo branco é uma substância cuja utilização contra civis é proibida pela lei internacional, pois causa queimaduras profundas.

De acordo com o Exército israelense, na Faixa de Gaza a substância foi utilizada para criar uma “cortina de fumaça” e assim impedir a visibilidade das tropas.

Segundo o relatório, o Exército israelense decidiu, em confrontos futuros, agregar um oficial para assuntos humanitários junto a cada unidade de combate em áreas habitadas, “para evitar danos à população civil”.

O relatório Goldstone, apresentado à ONU em setembro de 2009, também acusou o grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, de cometer crimes de guerra ao lançar foguetes contra áreas civis no sul de Israel.

Em consequência, a comissão Goldstone exigiu que a Autoridade Palestina também realize investigações internas sobre os crimes cometidos.

De acordo com a ONU, a delegação palestina apresentou um relatório detalhado ao secretário-geral, porém o conteúdo desse relatório ainda não foi divulgado.

A Autoridade Palestina havia informado que teria dificuldades de realizar uma investigação abrangente sobre o ocorrido durante a chamada Operação Chumbo Fundido, já que perdeu o controle da Faixa de Gaza em junho de 2007 quando o Hamas expulsou o Fatah e tomou à força o controle político e militar da região.

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