Venezuela ordena que diplomatas colombianos deixem o país em 72 horas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acena em Caracas nesta quinta-feira (AP, 22 de julho)
Image caption Chávez mobilizou tropas na fronteira com a Colômbia

O governo da Venezuela ordenou nesta quinta-feira que os diplomatas colombianos se retirem do país no prazo de 72 horas e que a embaixada da Colômbia em Caracas seja fechada.

A medida foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, pouco depois de o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ter informado que seu país estava rompendo as relações diplomáticas com Bogotá, após a Colômbia ter acusado o país de abrigar guerrilheiros em seu território.

Em uma nota diplomática enviada ao encarregado de negócios da Colômbia em Caracas, a chancelaria venezuelana solicitou que os representantes diplomáticos colombianos “em 72 horas fechem a embaixada e se retirem do país”.

Maduro também ordenou o fechamento da embaixada da Venezuela em Bogotá e o regresso da equipe diplomática instalada na capital colombiana.

Apesar do anúncio da medida nesta quinta-feira, nem o embaixador venezuelano na Colômbia, nem a representante colombiana em Caracas estavam ocupando seus postos.

Na noite da última quarta-feira, o governo colombiano já havia convocado para consultas sua embaixadora em Caracas, María Luisa Chiappe. Já o representante venezuelano em Bogotá havia sido convocado de volta a seu país na semana passada.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela afirmou ainda que seus país não descarta outras medidas contra a Colômbia.

"Estamos avaliando outro conjunto de decisões na área econômica, aeronáutica e comercial, para proteger a Venezuela e a dignidade de nosso país", afirmou Maduro.

Crise

A crise diplomática entre os dois países atingiu seu ápice nesta quinta-feira, quando Hugo Chávez anunciou o rompimento das relações com o país vizinho, após a Colômbia ter acusado formalmente a Venezuela de abrigar guerrilheiros colombianos em seu território.

A denúncia foi feita durante uma reunião extraordinária da OEA (Organização dos Estados Americanos), na qual a Colômbia apresentou o que qualificou de “provas” de que os rebeldes estão escondidos na Venezuela.

O presidente venezuelano reagiu pouco depois, rompendo relações.

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"Não nos resta, por dignidade, mais que romper totalmente as relações com a Colômbia, com lágrimas no coração", afirmou.

Chávez ainda disse ter pedido "alerta máximo" aos militares na fronteira com a Colômbia. "Não aceitaremos nenhum tipo de agressão", disse.

Bogotá

Após o anúncio da Venezuela, no entanto, o porta-voz do governo colombiano disse que não haverá movimento de tropas para a região fronteiriça.

"Por parte da Colômbia, jamais, nunca haverá movimento de tropas. Do lado da Colômbia, sempre haverá fraternidade", afirmou o porta-voz César Mauricio Velásquez, em Bogotá.

Velásquez afirmou que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, não fará pronunciamentos sobre a ruptura de relações com a Venezuela, deixando a cargo do embaixador da Colômbia na OEA, Luis Hoyos, essa tarefa.

O presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que toma posse no próximo dia 7 de agosto, também afirmou que "a melhor contribuição que pode fazer é não se pronunciar".

Já seu vice, Angelino Garzón, disse que o novo governo fará "todo possível" para restabelecer as relações diplomáticas com a Venezuela.

"Faremos todo o possível e utilizaremos todos os amigos que temos em diferentes países do mundo e buscaremos todos os mecanismos diplomáticos para melhorar e fortalecer as relações com os países da região, incluindo a Venezuela", disse Garzón.

Ao anunciar a ruptura de relações, Chávez disse esperar que o novo governo "contribua para que Colômbia retome ao caminho da razão" e "para que não ocorram coisas mais graves nos próximos dias".

Em uma nota divulgada na noite desta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que o “governo brasileiro vem acompanhando, com atenção e preocupação, os últimos desenvolvimentos” e “lamenta essa situação”.

Ainda de acordo com o Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam falado por telefone com Hugo Chávez para transmitir “a disposição do Brasil de contribuir para a superação das diferenças entre os governos da Colômbia e da Venezuela”.

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