Chávez rompe com Colômbia e pede alerta na fronteira

Hugo Chávez (foto: arquivo, Reuters)
Image caption Chávez fez o anúncio durante visita de Maradona a Caracas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta quinta-feira o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia logo depois que Bogotá acusou, em uma reunião extraordinária da OEA, a Venezuela de abrigar guerrilheiros colombianos em seu território.

A denúncia foi feita durante uma reunião extraordinária da OEA (Organização dos Estados Americanos), na qual a Colômbia apresentou o que qualificou de “provas” de que os rebeldes estão escondidos no país vizinho.

"Não nos resta, por dignidade, mais que romper totalmente as relações com a Colômbia, com lágrimas no coração", afirmou Chávez, na sede do governo em Caracas, ao lado de Diego Maradona, que visita o país.

"Esperamos que não aconteça nada mais grave nesses dias que restam a (o presidente colombiano, Álvaro) Uribe (...). Há uma loucura desatada no palácio de Nariño (sede do governo colombiano)", afirmou.

"Uribe é capaz de montar um acampamento simulado do lado venezuelano para atacá-lo e causar uma guerra."

Alerta

O presidente venezuelano disse ter pedido "alerta máximo" aos militares na fronteira com a Colômbia. "Não aceitaremos nenhum tipo de agressão".

Chávez disse esperar que o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, modifique a relação entre os dois países e negou que seu governo seja conivente com as guerrilhas colombianas.

"Não permitimos acampamento guerrilheiro na Venezuela. Se houvesse acampamento na Venezuela seria sem a permissão do governo venezuelano", afirmou.

Venezuela rompeu relações com a Colômbia em 2008, quando o exército colombiano invadiu o Equador para bombardear um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o principal grupo rebelde de esquerda colombiano), mas depois voltou atrás.

Em 2009, Chávez "congelou" as relações políticas e comerciais com Bogotá depois da assinatura do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos que permite a tropas americanas o uso de sete bases militares colombianas.

OEA

Durante a reunião da OEA, a Colômbia e disse que há 1,5 mil rebeldes no país vizinho e pediu à organização que crie uma comissão internacional para visitar os supostos acampamentos da guerrilha colombiana que estariam instalados na Venezuela, em um prazo não maior que 30 dias.

O embaixador colombiano na OEA, Luis Hoyos, mostrou uma série de fotos de líderes guerrilheiros em acampamentos.

No entanto, as fotos, definidas como "provas" pelo colombiano, não deixam claro em que local foram feitas. A maioria delas mostra os líderes rebeldes sentados, onde se pode ver a selva de fundo.

O embaixador colombiano também mostrou coordenadas geográficas de onde estariam instalados três acampamentos rebeldes no Estado venezuelano de Zulia. Segundo Hoyos, os acampamentos estariam 23 km dentro da fronteira venezuelana.

"Se tudo isso é falso e tudo isso é uma montagem, não haverá nenhuma dificuldade para que a comissão possa ir", afirmou Hoyos.

O embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, disse que as fotos não mostram se são território venezuelano ou colombiano.

"A foto que (o governo colombiano diz ser) Chichiriviche (praia no litoral venezuelano) me chama a atenção, porque conheço bem essa praia e, pela cor da areia, poderia ser Santa Marta (Colômbia)", afirmou.

Chaderton disse que deveria ser criada uma comissão também para visitar as sete bases militares colombianas que estão sendo utilizadas por tropas americanas, que foi pivô da crise entre os vizinhos no ano passado.

Notícias relacionadas