Espanhóis processam premiê de Israel por ação contra frota para Gaza

Manuel Tapial (esq.) e Laura Arau durante ato a favor dos palestinos em Barcelona, julho de 2010 (foto: AFP)
Image caption Ativistas e jornalista alegam que foram detidos em águas internacionais

Dois ativistas e um jornalista espanhóis, que foram presos durante o ataque das forças israelenses contra uma frota de navios que levava suprimentos para a Faixa de Gaza há cerca de dois meses, iniciaram um processo contra o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Os três, Laura Arau, Manuel Tapial e o jornalista David Segarra, acusam Netanyahu e outros ministros do governo israelense de desrespeitar as leis internacionais.

Segundo o jornal espanhol El País, os três alegam que foram detidos em águas internacionais durante o ataque ao navio Mavi Marmara, ocorrido há dois meses. Eles também alegam que foram torturados e deportados para a Turquia.

Se a Justiça espanhola aceitar o processo, as autoridades vão lançar uma investigação oficial.

Além de processar Netanyahu, os três espanhóis, representados pela Associação de Solidariedade com a Causa Árabe, processam também o ministro da Defesa, Ehud Barak, o ministro do Exterior, Avigdor Lieberman, o vice-primeiro-ministro de Israel, Moshe Yaalon, o ministro do Interior, Eli Yishai, e um ministro sem pasta, Benny Bergin.

Também será processado o vice-almirante Eliezer Marom. Todos eles são acusados de planejar a operação de abordagem à frota de navios.

A ação israelense do dia 31 de maio contra a frota de seis barcos, que pretendia furar o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária, deixou nove mortos e gerou fortes críticas internacionais contra Israel.

O governo israelense admite que o resultado de sua ação militar contra os barcos não foi o esperado, mas alega que os soldados reagiram à agressão dos ativistas.

Devolução

O anúncio do processo dos espanhóis contra Netanyahu ocorre no momento em que o governo de Israel também anunciou que vai devolver três navios turcos que faziam parte da frota.

De acordo com a rádio pública de Israel, as autoridades da Turquia já foram informadas da decisão pelo gabinete de governo.

As negociações para a devolução do navio Mavi Marmara e outros dois cargueiros foram suspensas devido à exigência de Israel de que os proprietários dos navios assinassem garantias de que não tentariam enviar novas missões de ajuda à Faixa de Gaza.

No entanto, de acordo com uma autoridade israelense, o gabinete de governo decidiu devolver os navios sem mais exigências.

A Turquia retirou seu embaixador e suspendeu exercícios militares conjuntos com Israel depois do ataque à frota.

O governo turco também exigiu um pedido de desculpas, recusado por Israel.

Leia mais: Relatório militar de Israel reconhece erros em ataque a frota

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