Estados Unidos e Coreia do Sul iniciam exercícios navais

Exercícios militares
Image caption 200 navios e 8 mil militares participam dos exercícios navais conjuntos

Militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul começaram neste domingo exercícios navais no Mar do Japão, apesar das ameaças de retaliação da Coreia do Norte.

As manobras militares envolvem 20 navios, 200 aviões e 8 mil homens, entre americanos e sul-coreanos.

Os governos de ambos os países dizem que a intenção é enviar um sinal claro para a Coreia do Norte, depois que um navio sul-coreano foi afundado em março.

Uma investigação internacional concluiu que o naufrágio foi provocado por um torpedo norte-coreano.

No entanto, o governo de Pyongyang nega a acusação veementemente.

'Guerra santa'

Ainda no sábado, a Coreia do Norte ameaçou usar armas nucleares, caso o exercício naval fosse adiante, em uma "guerra santa".

De acordo com o correspondente da BBC em Seoul, John Sudworth, os exercícios navais têm a intenção de mostrar força e abalar a elite militar norte-coreana.

No entanto, alguns analistas dizem que a demonstração de poderio militar deve apenas fortalecer a linha-dura do país comunista.

O ministério da Defesa sul-coreano afirmou que as manobras navais foram transferidas do Mar Amarelo para o Mar do Japão por causa de protestos da China, aliada da Coreia do Norte.

Em meio à tensão crescente, militares sul-coreanos afirmaram estar monitorando as atividades dos vizinhos nas regiões de fronteira, mas não teriam detectado nada incomum.

"Guerra de palavras"

A poderosa Comissão de Defesa Nacional da Coreia do Norte afirmou que os exercícios militares "não passam de claras provocações com o objetivo de pressionar a República Democrática do Povo da Coreia (Coreia do Norte) pela força das armas".

"O Exército e o Povo da RDPC vão começar uma guerra santa retaliatória no seu próprio estilo, baseada em dissuasores nucleares, a qualquer momento que for preciso para conter os imperialistas norte-americanos e as forças fantoche da Coreia do Sul, que deliberadamente empurram a situação para a beira de uma guerra", acrescentou a agência.

A Casa Branca afirmou não estar interessada em uma "guerra de palavras" com a Coreia do Norte.

O porta-voz do Departamento de Estado PJ Crowley afirmou que os Estados Unidos querem "mais ações construtivas e menos palavras provocadoras" de Pyongyang.

O governo norte-coreano já havia prometido uma resposta física aos exercícios militares durante um fórum regional de segurança da Ásia no Vietnã, na sexta-feira.

'Diplomacia canhoneira'

O porta-voz da delegação norte-coreana do grupo regional Associação das Nações do Sul Asiático (Asean, na sigla em inglês) afirmou que os exercícios são um exemplo da "diplomacia de canhoneira" do século 19.

"É uma ameaça à península da Coreia e à região da Ásia como um todo", afirmou.

O encontro regional foi dominado pela crise entre as duas Coreias.

A China criticou os planos e advertiu contra qualquer ação que possa "exacerbar as tensões regionais".

Mas o Japão está enviando quatro observadores militares, em aparente aprovação dos exercícios.

Na quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram que vão impor novas sanções à Coreia do Norte, com o objetivo de interromper a proliferação nuclear e a importação de artigos de luxo.

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