Parentes de vítimas de acidente no Paquistão se desesperam em busca de notícias

Patrentes de vítimas se concentram na porta de hospital em Islamabad
Image caption Familiares e amigos de vítimas se concentraram em hospital de Islamabad

Pouco após a notícia da queda do avião da empresa aérea Airblue nesta quarta-feira no Paquistão, parentes dos ocupantes do voo entraram em desespero e começaram a buscar notícias sobre o acidente e informações sobre possíveis sobreviventes.

Segundo as autoridades paquistanesas, nenhum dos 152 ocupantes do avião, que ia de Karachi para a capital do país, Islamabad, sobreviveu à queda da aeronave.

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Um grande número de parentes e amigos dos passageiros do voo, entre eles muitas mulheres e crianças, se concentrou na porta do setor de emergência do Instituto de Ciências Médicas de Islamabad, que começou a receber os corpos trazidos pelas equipes de resgate cerca de cinco horas após o acidente.

“Não me importo de esperar, desde que eu tenha alguma informação sobre meu primo, Aamer Siddiqui”, afirmou Mehmood Gillani à BBC.

O som da aproximação de uma ambulância com a sirene ligada alertou muitos dos presentes, que a cercaram antes de descobrir que ela trazia dois feridos em um acidente de carro.

Aeroporto

No aeroporto de Islamabad, o clima era de confusão e consternação.

A Autoridade de Aviação Civil (AAC) montou um balcão de informações, mas as informações que tinha eram poucas.

Um homem agitado, Zulfiqar Qadri, deixou o local desapontado após o funcionário da AAC dizer a ele que não podia responder suas questões.

Qadri disse à BBC que estava “doente” de preocupação sobre seus parentes que estavam no voo.

“Está tudo errado aqui. Há sobreviventes? Está todo mundo morto? Para onde estão levando os corpos?”, questionou.

“Parece que ninguém sabe nada. Eles deveriam pelo menos nos dar alguma informação”, disse.

Karachi

Image caption Balcões de informações nos aeroportos tinham poucos dados

A situação era parecida em Karachi.

“Ainda não recebemos nenhuma informação. A única coisa que eu sei é que os meus dois irmãos estavam no voo”, disse à BBC Fahd Rasheed.

“Não tivemos nenhuma notícia do governo ou da companhia aérea até agora. Meu outro irmão e meus primos estão tentando descobrir se eles podem ter sobrevivido”, disse.

Imagens da TV local Express 24/7 mostraram um homem discutindo com funcionários do aeroporto para pedir informações sobre sua filha e o marido dela.

Ele levava uma foto do casal que foi tirada durante o casamento no último fim de semana.

“Eles estavam em lua-de-mel. Minha filha não tem nem 18 anos ainda”, lamentava.

“Por favor, pelo amor de Deus, diga-me alguma coisa, qualquer coisa”, pedia ele a um repórter de TV, antes de começar a chorar.

Confusão

Image caption Declaração de ministro sobre sobreviventes aumentou a confusão

Grande parte da confusão foi gerada pela declaração do ministro do Interior, Rehman Malik, de que cinco pessoas teriam sobrevivido ao acidente.

A informação foi posteriormente negada, e o pessimismo tomou conta das declarações de Malik à tarde, mas muitas pessoas ainda demonstravam otimismo.

O escritório da BBC em Islamabad recebeu várias ligações de pessoas conhecidas que perguntavam se poderiam confirmar se alguns passageiros haviam sobrevivido.

Mesmo para aqueles sem parentes ou amigos no voo, o acidente provocou choque e medo.

Haroon Rashid, correspondente da BBC em Islamabad, disse ter notado que o avião voava a uma altitude baixa e também sobre uma área na qual os voos são proibidos, por abrigar vários prédios do governo.

Outro residente de Islamabad, um médico, disse à imprensa local que percebeu que o avião emitia um som mais alto do que o normal.

“Eu estava dirigindo e, quando ouvi esse barulho alto, olhei para cima e vi essa barriga enorme do avião”, disse ele.

“O trem de pouso já havia descido. Naquela hora, parecia apenas uma ocorrência anormal, como se algo não estivesse muito certo”, afirmou.

“Mas quando eu soube, alguns minutos depois, que o avião havia caído, fiquei chocado. A memória da visão do avião ainda me dá calafrios.”

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