Lula diz que quer contribuir para relação entre Colômbia e Venezuela

O presidente Lula
Image caption Lula esteve na capital paraguaia, Assunção, nesta sexta-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que espera contribuir para a reconstrução do relacionamento entre a Venezuela e a Colômbia.

"Vou trabalhar para reconstruir a relação entre Venezuela e Colômbia sendo presidente ou não do Brasil", disse ele durante breve visita à capital do Paraguai, Assunção.

"Creio que a única palavra que não pode existir entre ambos os países é a guerra, a palavra 'paz' deve ser pronunciada", afirmou Lula.

O presidente brasileiro ressaltou que ambos os países “são muito importantes para a integração da América Latina e do Mercosul” e que o conflito afeta o fluxo comercial.

Polêmica

Também na sexta-feira, o porta-voz do Palácio do Planalto, Marcelo Baumbach disse que eLula considera “superada” a polêmica com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

Por meio de um comunicado divulgado na quinta-feira, Uribe havia afirmado “deplorar” as declarações de Lula, que antes havia descrito a crise diplomática entre Venezuela e Colômbia como algo que não vai além de um “enfrentamento verbal”.

“O presidente Lula acha que o episódio está superado. Ele não comentou e nem comentará (a declaração de Uribe)”, disse o porta-voz nesta sexta-feira.

Leia também na BBC Brasil: Uribe 'deplora' comentários de Lula sobre crise com a Venezuela

Ainda de acordo com o relato de Baumbach, Lula telefonou nesta sexta-feira para o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que toma posse no dia 7 de agosto.

“O presidente considerou que a conversa foi positiva e ajudou na preparação para a distensão do cenário”, disse o porta-voz, referindo-se aos esforços do Brasil para apaziguar a crise entre Colômbia e Venezuela.

Sem consenso

A tentativa de resolver o impasse diplomático entre Bogotá e Caracas por meio de uma reunião de chanceleres da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), na noite desta quinta-feira, terminou sem sucesso.

Depois de mais de cinco horas de tenso debate, o grupo não chegou a um consenso sobre a criação de mecanismos para conter a crise bilateral e decidiu deixar nas mãos dos presidentes do bloco sul-americano a tarefa de reaproximar os dois países.

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse à BBC Brasil que a reunião serviu para "baixar a temperatura" do conflito, ao mesmo tempo em que admitiu que os países não chegaram a um acordo porque ainda havia tensão entre Colômbia e Venezuela.

"Os chanceleres precisavam fazer muitas consultas, os ânimos estavam ainda um pouco quentes, mas o importante é que conseguimos baixar a temperatura", afirmou Garcia, que substituiu o chanceler Celso Amorim no encontro.

Leia também na BBC Brasil: Reunião da Unasul sobre crise entre Colômbia e Venezuela termina sem consenso

Presidentes

A crise entre Colômbia e Venezuela deverá ser tema de debate de uma reunião extraordinária de presidentes da Unasul que deverá ocorrer logo depois que Juan Manuel Santos assumir a Presidência da Colômbia.

O conflito binacional teve início há uma semana, quando Bogotá apresentou ao Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA) supostas provas sobre a presença de guerrilheiros das Farc e do ELN na Venezuela.

Em seguida, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, qualificou de mentirosas as acusações e rompeu relações diplomáticas com a Colômbia.

Para Chávez, as acusações são parte de uma "desculpa" para justificar uma intervenção armada da Colômbia em seu país, que a seu ver, conta com o apoio dos Estados Unidos.

* Com a redação da BBC Brasil em São Paulo

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